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Quinta-Feira, 01 de Janeiro de 2015, 20h:25

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2014, para sempre

E o ano que parecia nunca chegar acabou chegando, 2014, o ano da Copa do Pantanal, e agora está virando passado. Para Cuiabá, um ano que não cabe em um artigo. Sem dúvida, 2014 foi um ano muito especial para Cuiabá que iniciou e viveu seu primeiro semestre sobre a forte tensão do maior desafio que a cidade jamais enfrentou, o de receber o maior evento de massa do planeta, uma Copa do Mundo de Futebol. Em seu maior momento, sucesso ou vergonha? Cuiabá teria que se transformar em pouco tempo recebendo por isso o maior pacote de investimentos de sua história, ao todo 56 grandes obras públicas, fora os investimentos privados em shoppings, hotéis e até uma fábrica de cimento. 2014 chega com a cidade de pernas para o ar, esburacada, congestionada. O povo, mesmo irritado, jamais perdeu a esperança de que tudo seria para o bem da cidade. Uma esperança sofrida e desconfiada, embalada por um lado pelas obras que evoluíam aos trancos e barrancos e, por outro, pela cantilena orquestrada e maldosa dos grandes interesses preteridos com a escolha de Cuiabá, e pelo fel invejoso da politicagem local despeitada. Para a imprensa esportiva nacional, contrária a Cuiabá desde que escolhida, seria o grande fiasco nacional. Botaram até fogo na Arena ainda em obras. Logo as primeiras obras são liberadas e em 2 de abril vem o primeiro jogo na Arena Pantanal com o empate sem gols entre o Mixto e o Santos. Depois o Luverdense bateu o Vasco e o Cuiabá empatou com o Inter, merecendo vencer, todos com o público máximo liberado. A Arena encantou a todos e a expressão mais ouvida entre os torcedores felizes era “nem parece que estamos em Cuiabá!”, na verdade expressando a surpresa da descoberta de que Cuiabá podia ser assim, sim. E pode! Junho chegou trazendo os primeiros turistas. O primeiro, Cristian Guerra, chegou depois de 4 meses de viagem de bicicleta. E logo chegaram aos milhares, alegres, dando aula de como torcer aos brasileiros. Os chilenos uníssonos com seus “chi-chi-lê-lê”, os australianos de cangurus e coalas. E também vieram os russos, nigerianos, coreanos, os bósnio-herzegovinos, colombianos e os japoneses que ensinaram civilidade ao limpar a Arena após o jogo, lição usada pela torcida do Cuiabá no primeiro jogo de seu time após a Copa. Os colombianos deixaram a lembrança do gol de James Rodriguez, escolhido por ele como o seu mais bonito, ele que agora foi eleito o Craque das Américas e que chegara como mero substituto do então astro maior colombiano machucado. Veio Bachelet, a presidente do Chile, veio Shakira, a rainha da Colômbia, Wolverine, o príncipe da Austrália e outras personalidades globais que nem foram percebidas em meio a turba alegre e festiva que lotou a Arena, o Fan Park, a Arena Cultural e a Praça Popular ponto de encontro de todas as torcidas. Fora dos jogos e das festas, o Centro Geodésico foi lugar de visitação constante. Ao final as pesquisas noticiadas constataram que 91,6% dos visitantes aprovaram Cuiabá e recomendariam Mato Grosso como destino turístico. Pesquisa do Ministério do Turismo 99% dos visitantes escolheram Cuiabá como a sede mais hospitaleira e a Arena Pantanal foi a preferida entre os jornalistas estrangeiros pelo site UOL, logo a UOL, sempre tão dura com Cuiabá. Até o New York Times se rendeu àquela que chamou de “a menor das cidades-sede”. Quer mais? Mais importante, cerca de três quartos da população local aprovaram as transformações trazidas pela Copa e acham que a cidade não passou vergonha. Findo o primeiro semestre, tudo o que veio após foi acessório, fora alguns momentos. Mas, estes só em outro artigo. * JOSÉ ANTONIO LEMOS DOS SANTOS, arquiteto e urbanista, é professor universitário joseantoniols2@gmail.com

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