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Sábado, 03 de Janeiro de 2015, 14h:44

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De continentalidade

Sempre critiquei o inchaço da máquina pública nos três poderes em todas as suas esferas. Portanto, concordo com o enxugamento dos cargos de confiança promovido numa só canetada por Pedro Taques, que acaba de assumir o governo. Mais: não vejo esse ato como retaliação, porque em sua essência os atingidos votaram no governador que os botou no olho da rua. Quem perdeu o cargo sabia que o perderia, pois na campanha Pedro Taques disse que seria austero e que governo não é Sine. Também concordo com a política de moralização administrativa para passar a limpo o ontem. Porém, entendo que auditorias e outros procedimentos dos órgãos internos de controle do governo não podem interromper a atividade-fim, que é a administração. É importante que se investigue, mas sem que isso dificulte ou impeça a construção de obras e a execução da política social. O governo tem mecanismos para apontar e corrigir falhas, sem que precise cruzar os braços no sentido administrativo, para fazê-los. Tanto o eleitor de Pedro Taques quanto quem não votou nele – é o meu caso – espera que Mato Grosso seja bem governado. Mato Grosso tem demandas que não podem mais esperar nas áreas de saúde, segurança, educação, transporte, habitação, saneamento e agrária. Algumas dependem de ações compartilhadas com o governo federal e os municípios, mas a maioria é de responsabilidade exclusiva do Palácio Paiaguás. Não devemos mergulhar na onda do denuncismo, nem podemos aceitar um governo judicializado. Não se discute que todo indício ou prova de corrupção tem que ser apurado na esfera policial, mas desde que tal caso fique restrito ao âmbito de seu inquérito, que é o ponto de partida para se separar o joio do trigo. Temo que no afã de divulgar atos do novo governo setores da imprensa criem um ambiente de caça-bruxismo capaz de criar intranquilidade social, de abalar instituições, de desestimular investidores e, por analogia, resultar em açodados tribunais de exceção, que num primeiro momento podem até receber aplausos do cidadão desencantado com a vergonhosa impunidade reinante, mas que em seguida, quando a poeira assentar, será repugnado. Que Pedro Taques governe e ouça a voz das ruas pra que sua gestão alcance bom desempenho, e que se atente ao clamor contra a criminosa prática de se pavimentar rodovia com acostamento manga curta. Que o governador saiba que 24 horas por dia é tempo curto pra administrar nossa complexidade. Que ele deixe os mortos sepultando seus mortos e toque o barco – literalmente - nos rios navegáveis que precisam ser transformados em importante matriz de transporte nesta terra com grande índice de continentalidade. Eduardo Gomes de Andrade é jornalista eduardo@diariodecuiaba.com.br

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