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Cuiabá MT, Quinta-feira, 18 de Abril de 2019
ARTIGOS
Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2019, 16h:48

* AUREMÁCIO CARVALHO

Flávio Bolsonaro: um ponto fora da curva?

O “caso” Flávio Bolsonaro está tomando contornos perigosos- para ele, para o pai e, por tabela, para o Governo Bolsonaro, que se apresentou ao eleitorado como ético, acima de qualquer suspeita. Senão, vejamos: ao contrário do informado, na compra de um imóvel “na planta”, quitado pela CEF e vendido, de imediato pelo Senador diplomado (pagamento de um boleto bancário no valor de R$ 1.016.000,00 sem indicação do favorecido, e não explicou por que não fez o depósito de uma só vez em sua conta bancária); na verdade, ele adquiriu em três anos, de 2014 a 2017, dois apartamentos em bairros nobres do Rio de Janeiro, ao custo informado de R$ 4,2 milhões. Em parte das transações, o valor registrado pelos compradores e vendedores é menor do que aquele usado pela prefeitura para cobrança de impostos. Talvez, presente entre amigos.... O período da aquisição dos imóveis pelo filho de Jair Bolsonaro é o mesmo em que o COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) teria detectado movimentação de R$ 7 milhões nas contas de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio, segundo mídia de hoje (naturalmente, “são rolos; gosto de comprar e vender” ou, tentativa de ocultação do real dono do dinheiro?). O ex-motorista é investigado sob suspeita de ser o pivô de um esquema ilegal de arrecadação de parte dos salários de servidores do gabinete, prática conhecida como “rachadinha”, dos 1 milhão e duzentos - “negócios de rolo?”, explicado por ele. A Folha de S. Paulo também mostrou em janeiro do ano passado que Flávio havia negociado ao menos 19 imóveis nos últimos 13 anos; a maior parte são 12 salas do Barra Prime, um prédio comercial. Todas foram vendidas para a MCA Participações, empresa que tem entre os sócios uma firma do Panamá, conhecido paraíso fiscal. Trabalhador, o rapaz. Além, do pecado menor dos 48 depósitos em poucos minutos na sua conta. Pesquisas cartoriais mostraram que a família Bolsonaro era dona de 13 imóveis com preço de mercado de pelo menos R$ 15 milhões, a maioria em pontos altamente valorizados do Rio, como Copacabana, Barra da Tijuca e Urca. Nada contra, desde que provada a fonte dos recursos. O MP/RJ explicou que não quebrou sigilo bancário do garoto, mas recebeu dados públicos do COAF suspeitos de irregularidade, o que desmonta a tese do Senador Flávio ao pedir ao STF a suspensão do processo e anulação de provas. O vice-presidente Hamilton Mourão (presidente interino), afirmou que o caso envolvendo movimentações financeiras atípicas do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e de seu ex-assessor Fabrício Queiroz não é assunto do governo e, que, cabe ao filho do presidente Jair Bolsonaro dar as explicações devidas para o caso. “O presidente não está tendo de se defender. Quem tem de se defender, se explicar, é o Flávio". Claro, alguém tem de pegar essa batata quente... A falta de explicações, do assessor e do senador, evasivas e incongruentes, já está respingando no Governo e poderá ter consequências imprevisíveis, principalmente, a partir da posse do novo Congresso, com a oposição com esse presente dado de mão beijada: naturalmente, discursos, comissão de ética, denúncia ao STF (envolvendo o pai, naturalmente, pois admitiu que sua esposa recebeu um repasse de R$ 22.000,00, na verdade, uma dívida do ex-assessor de R$ 40 mil). O presidente não pode ser processado, por atos fora do mandato, mas pode ser investigado. Um novo Temer? O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro é o mais incomodado, e cobra explicações claras. Como fica sua biografia, se esse “barraco” continuar? Além do grupo de Moro, militares não escondem o incômodo, apesar de manterem a defesa enfática do presidente. Para eles, esta "não é uma crise do governo", mas há a avaliação de que a repercussão sobre as movimentações atípicas detectadas pelo COAF pode atingir a imagem do presidente. Como diz a máxima romana “a mulher de César não precisa apenas ser honesta, mas tem de mostrar que é honesta". A pergunta é: como ficarão os ministros - escolhidos por competência e passado ilibado, a maioria, se esse angu não for resolvido, a contento? O ideal, segundo eles, seria esvaziar o caso antes da posse do novo Congresso, para evitar cobranças de parlamentares não só da oposição como também governistas (uma boa moeda de trocas, do toma lá da cá). Na equipe palaciana, principalmente na ala militar, as investigações, que antes estavam concentradas em Fabrício Queiroz e agora envolvem também o senador eleito, geram apreensão e preocupação. Se antes quem devia explicações era o ex-assessor do senador eleito, que fugiu de da-las, junto com as filhas e mulher, agora Flávio também está sendo cobrado a esclarecer o episódio. Talvez, essa seja uma daquelas crises que crescem devagar, na sombra, “marolinha”, mas que, por falta de explicações convincentes, mau gerenciamento, se transforma numa montanha russa. Seria conveniente que o filho mais velho afastasse qualquer tipo de dúvida a respeito de suas movimentações bancárias o mais rápido possível. Ele parece não entender a gravidade dos fatos e busca abafar, via STF, o andamento das investigações. Pode ser um tiro no pé, fatal, para ele e para todos. A cada dia surgem novas revelações; quantas ainda virão à luz dos holofotes? Será que a coisa vai parar no “lixo”, como disse o Ministro Marco Aurélio - sob a suspensão das investigações deferida pelo STF - ou, ao se jogar fora a água suja da bacia não vai junto “a criança” - (o governo bolsonariano)? Os próprios ministros do STF se surpreenderam com a ação de Flávio, uma vez que ele diz não ser investigado, mas apenas citado no inquérito do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) que apontou movimentação atípica de Queiroz. Qualquer pessoa pode ser citada, não significando culpa ou prejulgamento, como interpretou o senador Flavio. Havendo indícios, a autoridade envia os dados para o foro competente do citado. E os fatos se referem ao Deputado Estadual/RJ e não ao Senador Flavio; colhidos seis meses atrás, antes da diplomação; portanto, competente, já decidiu o STF em casos semelhantes, a Justiça Comum local (TJ/RJ). É o lixo para onde o min. Marco Aurélio deve mandar esse barulho. Um simples Fiat custou caro ao presidente Collor, como sabemos. Atrás dele, foi puxada uma fila de pequenos pecados de debaixo do tapete, cujo resultado é conhecido. "A fraude é o braço esquerdo do homem: o braço direito é a força. Muitos homens são canhotos, eis tudo." Machado de Assis. Sábio, o grande bruxo do Cosme Velho, terra do senador enrolado. * AUREMÁCIO CARVALHO é advogado auremacio.carvalho@hotmail.com "A falta de explicações, do assessor e do senador, evasivas e incongruentes, já está respingando no Governo e poderá ter consequências imprevisíveis"

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