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Sábado, 03 de Janeiro de 2015, 14h:44

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O Estado, as políticas e os infiéis

“O problema são os infiéis”, disse a diretora, após constar desvio de recursos público da escola. No início de meu ministério pastoral, em Sinop, nos idos de 1977, reunimos a igreja e realizamos um estudo sobre a parábola dos talentos, segundo Mateus. Diz a parábola que um dono de talentos, o Senhor, distribui-os entre 3 dos seus colaboradores, de maneira desigual. Ordenou a cada um deles que trabalhassem com os dons que receberam. Dois deles trabalharam e, por causa de sua fidelidade, bondade e dedicação, foram aprovados para continuar na obra. Um deles alegou que o Senhor era muito severo e, por isso, não ariscou e enterrou o tesouro e o devolveu, na volta. Este foi reprovado. A igreja, em Sinop, refletiu arduamente sobre o significado da parábola. Polarizou a temática entre aqueles que achavam que os que trabalham merecem a bênção de Deus. Estes seriam os dois que foram aprovados pelo Senhor. Por outro lado, estariam os preguiçosos e negligentes que não merecem a bênção do Senhor. Estes seriam os pobres. A comparação causou um mal-estar na igreja. A comparação é injusta, pois, trata de obra retributiva que não mais é a teologia de Jesus. Em Jesus, Deus nos ensina que ele nos trata com misericórdia. Quer bem e ama a toda a criatura. A vida e salvação é graça dada pela fé. Qual é, então, o problema do homem que enterrou o talento? Prefiro a dimensão da fidelidade. Os dois que foram elogiados pelo Senhor receberam a qualificação de “bons e fiéis”, confira Mt 25, 21; 23): muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu Senhor”. Na parábola, quem foi infiel se deu mal. É importante ser fiel? Ser fiel a que? Na parábola em questão, a fidelidade tem a ver com a obediência à ordem do Senhor. O que significa isto para nós? O amor se expressa em gestos concretos de boas obras, com respeito mútuo, justiça, solidariedade e ação comunicativa. O Estado Brasileiro está coberto por um dilúvio de infidelidades. A infidelidade contaminou, como uma epidemia, as nossas instituições. As câmaras de vereadores, assembleias legislativas e o Congresso Nacional são Instituições infiéis às promessas de campanhas. Os “mensalões” são os sintomas desta doença da infidelidade que tomou conta do país. O poder judiciário, recolhido na sua zona de conforto, está tomada de gente que enterra o seu talento. E está indiferente às dores, pois, juntamente com o Ministério Público procura as vitimas apenas em busca de provas materiais e, depois, ignora os seus sofrimentos. E as outras corrupções? Presidente Dilma foi traída, governador Silval foi traído, ministros e secretários foram traídos por políticos e por empresários. O povo que votou na esperança de boas melhoras foi traído. Aliás, partidos políticos transformados em espaços de ensaio das traições. Traições e coligações esdrúxulas são feitos por personalidades famintas por poder. Poucos querem falar do assunto nestes momentos de euforia, mas os governadores que assumem mandatos em janeiro precisam cuidar das traições. Não existe vacina contra traições. O monstro de Frankenstein, com seus tentáculos se mexendo para corromper, enquanto a cabeça está ocupada com outras coisas, não é exceção. O político infiel estufa seu peito, trai o seu partido e diz que ele é maior que a sigla. O eleitor infiel se enche de orgulho, vende seu voto e diz que a época de eleições é uma grande colheita. O funcionário público infiel vende informações privilegiadas, diz ser esperto e aceita suborno. O empreiteiro infiel usa material ruim na obra, diz ser competitivo e distribui agrados. As atitudes deste político, eleitor, funcionário público e empreiteiro causam mortes, violências, ignorância e misérias sociais. * P. TEOBALDO WITTER, pastor na IECLB, professor universitário e ouvidor público, Cuiabá maninha.pancinha@hotmail.com

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