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BRASIL
Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2018, 18h:03

LAVA JATO

Joesley diz que foi induzido a erro

DANIELA LIMA
Da Folhapress – São Paulo
A defesa do empresário Joesley Batista diz que ele não tinha como saber que Marcello Miller ainda estava na Procuradoria-Geral da República quando começou a negociar a contratação pela J&F. Os advogados do empresário juntaram uma série de depoimentos e documentos para construir a versão de que o ex-procurador foi apresentado à empresa como alguém que já não tinha mais vínculo com o MPF. Entre os papéis, há até documentos que indicam que a empresa foi cobrada a pagar R$ 700 mil para garantir que Miller não atuasse para seus concorrentes sem saber que era o passe do ex-procurador que estava em jogo. Os dados estão em uma petição endereçada ao ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo. Na ação, a defesa de Batista pede a manutenção do acordo de delação firmado pelo empresário. A estratégia indica o início de uma guerra sobre a narrativa que levou os irmãos à delação. O trato foi desfeito pela PGR após as suspeitas de que Joesley omitiu fatos criminosos - como a atuação de Miller enquanto ainda estava na Procuradoria- dos investigadores. Em um trecho do autogrampo, Joesley Batista diz a Ricardo Saud, da J&F: "Na minha cabeça, Marcello é do MPF, ponto. O Marcello tem linha direta com o Janot". LINHA DIRETA Na peça, a defesa de Batista aponta a advogada Esther Flesch, ex-sócia do Trench Rossi Watanabe, como linha auxiliar da narrativa apresentada por Miller que teria levado o empresário a erro. A menção aos R$ 700 mil que teriam sido cobrados a título de "retainer", uma cláusula que garante o pagamento de honorários apenas para impedir que um advogado atenda a concorrentes, aparece em um trecho no qual os advogados de Joesley rebatem suspeitas sobre a cobrança de uma fatura emitida pelo escritório TRW em 17 de maio. "[A fatura seria] Na interpretação da Procuradoria-Geral da República para fins de cobrança de atuação de Marcello Miller. Ocorre que, conforme dá conta o próprio escritório de advocacia TRW, a fatura foi emitida sem fazer qualquer menção aos profissionais envolvidos", afirmam os advogados do empresário, que em seguida reproduzem trecho da informação prestada à Justiça pelo Trench.

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