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BRASIL
Sexta-feira, 07 de Junho de 2019, 02h:00

“VELHA POLÍTICA”

Novo adota prática alvo de discurso eleitoral

DANIELLE BRANT E THIAGO RESENDE
Da FolhaPress – Brasília

Na campanha eleitoral, sobravam ataques ao mau uso de dinheiro público. Agora, com mandato, deputados do Novo têm repetido velhos hábitos da política tradicional.

O uso de auxílio-moradia, demonizado nas propagandas partidárias, atraiu pelo menos um parlamentar. Os excessivos gastos com passagens aéreas também chegaram à bancada e se estendem a assessores.

Em meados de maio, na comissão do Orçamento, o deputado federal Lucas Gonzalez, de Minas Gerais, perguntou ao ministro Paulo Guedes (Economia) o que os parlamentares deveriam fazer para dar exemplo e se responsabilizar pelos gastos em seus gabinetes na Câmara?

Líder de despesas com a cota parlamentar dentro da bancada do Novo, Gonzalez tem em sua prestação de contas a compra de bilhetes aéreos para uma assessora, a mesma que usou transporte por aplicativo pago pela Câmara, em um domingo, para ir a um shopping de Brasília.

Cada deputado tem direito a uma cota para cobrir custos com passagens de avião, transporte terrestre, combustíveis, divulgação da atividade parlamentar e consultorias, entre outros. O valor varia conforme o estado do parlamentar.

Em média, Gonzalez gastou cerca de R$ 18 mil por mês -próximo à média de bancadas de partidos mais antigos na Câmara. Os 27 deputados do DEM tiveram uma despesa média de R$ 20 mil no mesmo período -muitos deles usaram bem menos da cota. O gasto médio no PP foi de R$ 23 mil.

"Auxílio moradia, combustível e paletó não têm espaço em um governo Novo. A gente entende que dinheiro público deve ser usado em benefício do cidadão, não para sustentar mordomias e privilégios de políticos e funcionários públicos de alto escalão", disse, durante a campanha eleitoral, o então candidato à Presidência pelo partido, João Amoêdo.

Alexis Fonteyne (SP) foi eleito deputado federal pelo Novo. Ao chegar a Brasília, não abriu mão da ajuda de custo para moradia, financiada com dinheiro público. Foi o único a fazer isso na bancada do partido.

"No processo seletivo [para ser candidato do Novo], na entrevista, quando fui perguntado se estava disposto a abrir mão dos privilégios, falei que com certeza. Vou pegar passagens aéreas, porque minha família mora em Campinas. Minimamente, para ser deputado federal, eu quero voltar e ver minha família e também porque eu não tenho casa em Brasília", disse Fonteyne, em vídeo em rede social para prestar contas.

Em três meses de legislatura, ele gastou R$ 28 mil em bilhetes aéreos, inclusive para assessores. Para uma mesma corrida com aplicativos de transporte, o deputado do Novo pediu reembolso à Câmara duas vezes: uma com gorjeta e outra sem gorjeta ao motorista. Em fevereiro, cinco corridas viraram dez. Um custo extra de R$ 200.


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