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BRASIL
Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2018, 19h:04

FUGA/CRIME

Rodovias terão policiamento intensificado

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirmou ser "plausível" que organizações criminosas migrem para outros Estados com a intervenção federal no Rio

ARTUR RODRIGUES e GUSTAVO URIBE
Da Folhapress – São Paulo
Em encontro com secretários de Segurança Pública de São Paulo, Espírito Santo e Minas Gerais, o ministro da Justiça, Torquato Jardim, anunciou ontem) um pacto elaborado para diminuir "prováveis consequências" da intervenção no Rio de Janeiro em Estados vizinhos. A ideia é dificultar o transporte de carregamentos de munição direcionados ao Estado fluminense. A única medida concreta anunciada, porém, foi a intensificação de operações nas rodovias com a atuação de policiais estaduais em vias federais. Torquato se encontrou na sede da secretaria de Segurança Pública em São Paulo com os secretários Mágino Barbosa (São Paulo), André Garcia (Espírito Santo) e Sérgio Barboza Menezes (Minas Gerais). A reunião, que durou cerca de duas horas, foi para articular estratégias conjuntas de segurança pública. "A intervenção do Rio, se for bem sucedida, trará consequências para os três Estados", disse Torquato. "São os três primeiros vizinhos os primeiros a ser atingidos. Se a onda virar tsunami e for necessário, esse tipo de cooperação também será realizado com tantos outros Estados forem necessários". Torquato afirmou que, se necessário, os Estados podem receber apoio financeiro. Ele ressaltou que a atuação fora do Rio continuará a ser chefiada pelos Estados, e que a integração com as forças federais ocorrerá por meio de planejamento operacional conjunto e troca de informações. O ministro afirma que, em experiências anteriores, não houve migração de criminosos para Estados vizinhos. Mas sinalizou que pode haver intensificação de tentativas de transporte de encomendas do tráfego, como munições, por exemplo. Ele afirma que os criminosos do Rio já têm feito menos disparos contra as forças de segurança, o que significaria menos munição disponível nas mãos do crime organizado. As polícias estaduais também devem intensificar a atuação em estradas que possam levar ao Estado fluminense, como Dutra e Fernão Dias. Além dessas grandes rodovias, estradas vicinais que podem ser usadas como alternativas para o crime organizado, também terão a fiscalização intensificada. Apesar da escalada de violência no Rio, que atingiu uma taxa de mortes violentas de 40 por 100 mil habitantes no ano passado, há outros Estados com patamares ainda piores. No Atlas da Violência 2017, com dados até 2015, Rio tinha taxa de 30,6 homicídios para cada 100 mil habitantes, contra 58,1 de Sergipe, 52,3 de Alagoas e 46,7 do Ceará, por exemplo. MIGRAÇÃO O ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirmou ontem ser "plausível" que organizações criminosas migrem para outros Estados com a intervenção federal no Rio de Janeiro. Na saída de almoço com membros das Forças Armadas, ele reconheceu que o tema preocupa o governo federal e disse que, onde a atuação das forças de segurança se mostra efetiva, a atividade criminosa costuma se deslocar. Ontem, o ministro da Justiça, Torquato Jardim, se reuniu na capital paulista com secretários estaduais de Segurança Pública de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo para discutir planos de colaboração. "Eu acho que é plausível, porque essa migração ocorre, por exemplo, dentro do Rio de Janeiro, dentro de Pernambuco e dentro de Goiás. Onde há uma eficácia maior, o crime de certa maneira migra. Há uma preocupação que a gente tem de cuidar para que não se corporifique", disse. O ministro observou que a criminalidade hoje é nacional e citou dado do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), segundo o qual de 2014 a 2016 saltou de 3 mil para 13 mil o número de integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) em presídios do país. "É importante ter a cooperação desses três Estados e acredito que o futuro Ministério da Segurança Pública irá se debruçar sobre o tema em conjunto com esses governos estaduais", disse. Segundo Jungmann, a previsão é de que o interventor no Rio de Janeiro, general Braga Netto, apresente na semana que vem o seu plano de atuação na segurança pública. "Nós ontem falamos pelo telefone e ele me dizia que espera nos próximos dias, acho que possivelmente na próxima semana, apresentar à imprensa", afirmou.

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