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Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2018, 18h:07

SAÚDE

Estado lança plano contra hanseníase

Hiperendêmico, em Mato Grosso a cada 10 mil habitantes, 15 são acometidos pela doença

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Mato Grosso possui a maior taxa de incidência de hanseníase do país. Preocupada com a situação, a Secretaria de Estado de Saúde (Ses/MT) lançou, ontem, um plano de enfrentamento da doença, que prevê a reestruturação de serviços e o desenvolvimento de ações para que o Estado possa alcançar uma situação de controle do agravo, também conhecido como lepra, até o ano 2020. Em se tratando da hanseníase, Mato Grosso é considerado hiperendêmico, ou seja, tem transmissão ativa da doença em níveis preocupantes. No Estado, a cada 10 mil habitantes, 15 são acometidos pela doença. O índice considerado aceitável é de um caso a cada 10 mil. O lançamento fez parte das atividades realizadas no dia nacional de combate ao agravo. Neste ano, o tema da campanha é “Todos contra a Hanseníase”. No Estado, dados parciais da Ses/MT mostram que, no ano passado, foram detectados 3.239 novos casos, sendo que destes, 174 casos ocorreram em menores de 15 anos. Houve um aumento de aproximadamente 700 casos novos em relação ao ano de 2016. Já a proporção de cura foi 74,2% e a taxa de abandono de 6,9%. O órgão estadual alerta ainda para o indicador de exame de contatos, que, em 2017, está em 59,9%, sendo este considerado muito baixo. O exame de contatos é a principal estratégia de controle da doença, nesse caso, é importante que os municípios intensifiquem a estratégia. Durante o lançamento da iniciativa, o governador Pedro Taques falou sobre a invisibilidade e do preconceito enfrentado pelos portadores da hanse. “Desde a campanha eleitoral nós cobramos para que possamos superar essa chaga, superar o preconceito e o atraso”, disse. “Mato Grosso é campeão, mas com o trabalho da Secretaria de Saúde, em articulação com os municípios, temos certeza que vamos sair dessa lista escura”, acrescentou o governador. A intenção é que o plano proporcione organização da rede de atendimento desde a atenção básica à hospitalar, reestruturação de serviços, como o ambulatório do Centro Estadual de Referência em Média e Alta Complexidade (Cermac), que fica em Cuiabá, das unidades regionalizadas, apoio financeiro de R$ 120 mil para cada regionais e capacitação técnica para detecção precoce da doença. É o que espera o agente de viagem, Kenedy Paes, 20 anos, que somente após cinco anos recorrendo à assistência médica conseguiu obter o diagnóstico da doença. Ele chegou a ter a doença confundida com reumatismo. No período, sofreu sequelas, como paralisia dos nervos de uma das mãos. Hoje, ele conta que está curado. “Foram cinco anos de luta. Eu no fundo imaginava. Aí, fui buscando informações, vendo campanhas, mas que só falam em manchas. Hanseníase não é só mancha. Então, fui vendo que todos os meus sintomas eram de hanseníase, mas não dava nos exames. Eu tive dormência, mas falaram que era reumatismo”, disse. “O tratamento no Cermac está devastado. Antes, não era completo mais tínhamos um apoio humano. Agora, diminuíram os médicos”, acrescentou. Quanto à distribuição da doença, existem regiões hiperendêmicas que apresentam elevadas taxas de detecção. No ano de 2016 observou-se que a maior taxa de detecção da hanseníase ocorreu na região do Médio Araguaia, com taxa de detecção de 379,9/100.000 habitantes, seguida das regiões Vale do Peixoto, Alto Tapajós, Teles Pires, Norte, Vale do Arinos, Garças/Araguaia e Baixo Araguaia. “Se, por um lado, os dados de elevada taxa de detecção indicam que ocorrem iniciativas importantes no campo da atenção à saúde para a elucidação diagnóstica, por outro lado, as regiões com menor detecção, considerando a alta endemicidade da hanseníase e fluxo migratório do Estado, sugerem a existência de fragilidades na APS quanto a estratégias ativas de detecção de novos casos”, informou Rejane de Fátima Conde Finotti, técnica do Programa Estadual de Controle da Hanseníase.

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