NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Domingo, 13 de Outubro de 2019
CIDADES
Quinta-feira, 10 de Outubro de 2019, 09h:16

SURTO

Garimpo eleva em mais de 195% casos de malária em Aripuanã

A Secretaria de Estado de Saúde (Ses-MT) informou, ontem (09), que por causa da abertura ou exploração no garimpo ilegal, localizado na Serra de Santo Expedito, que fica a 13 quilômetros de Aripuanã (1.200 quilômetros, ao noroeste de Cuiabá) há o registro de um surto de malária na cidade. Por lá, os casos da doença aumentaram mais de 195%. Desde o início da semana, Forças de Segurança Pública deflagraram a operação “Trype” para desocupação da área. Além da morte de um garimpeiro na segunda-feira (07), três pessoas foram presas suspeitas de extorsão contra os trabalhadores em minérios.

De acordo com dados da Ses-MT, em 2018, foram registrados 1.006 casos de malária em Mato Grosso. Neste ano, de janeiro a 8 de outubro, já são 1.506 notificações, o que representa um aumento de 49.7%. Somente em Aripuanã, os números de casos da doença, em 2018, foram 180. De janeiro a 8 de outubro de 2019, foram registrados 532 (195.5%) casos notificados. Mato Grosso é considerado endêmico para a malária, uma doença infecciosa aguda, causada por protozoários parasitas do gênero plasmodium. A transmissão ocorre por meio da picada da fêmea do mosquito do gênero Anopheles, que se infecta ao sugar o sangue de uma pessoa doente.

Por meio de nota, a Ses esclareceu que esse aumento está provavelmente relacionado ao surgimento de garimpo na região o que ocasionou um surto da doença. “Para conter o aumento, a Coordenadoria de Vigilância Epidemiológica, juntamente à Coordenadoria de Vigilância em Saúde Ambiental da Ses-MT, está, desde o mês de junho deste ano, supervisionando o município e ofertando diversos treinamentos, como de microscópios e identificação de vetores. Neste mês, será realizada uma capacitação aos profissionais da saúde sobre diagnóstico e tratamento do paciente com malária”, frisou.

DESOCUPAÇÃO - A operação “Trype” foi deflagrada pela Polícia Federal (PF) e as forças de segurança pública do Estado, no início desta semana. A estrutura para exploração do ouro foi montada em meio a floresta amazônica e a estimativa é de que uma população flutuante entre mil a 1,5 mil pessoas estava na cidade. Na área, além de geradores de energia, foram encontradas 25 retroescavadeiras, que eram usadas para escavar encostas. Parte dos maquinários foi queimada pela polícia.

Além disso, três pessoas foram presas pela Polícia Federal suspeitas de envolvimento em uma quadrilha que extorquia garimpeiros na região. Outras pessoas também suspeitas de envolvimento na exploração desses já foram identificadas pela PF e podem ser detidas a qualquer momento.

De acordo com as informações, esses trabalhadores em mineração precisavam pagar para entrar na área e usar os equipamentos. Para carros e motocicletas passarem, eram cobrados valores que variavam entre R$ 20,00 e R$ 100,00 por dia. Para a extração do ouro, os garimpeiros desciam até 60 metros de profundidade, o que representava um risco. As crateras abertas também foram destruídas com uso de explosivos.

Anteontem, a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) informou que a cadeia pública do município foi reativada excepcionalmente para a ação integrada. Frisou ainda que o terreno na região está vulnerável, por isso, arriscado em caso de tentativa de invasão. Apesar disso, os garimpeiros querem continuar explorando a atividade no lugar, mas a lei estabelece que a lavra garimpeira precisa ser outorgada pela União.

Sobre a morte do garimpeiro José Maria dos Santos, de 45 anos de idade, a Sesp informou que o mesmo atirou contra policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) durante a ação de varredura. “Os garimpeiros foram orientados a saírem dos barracos para uma área de triagem. Contudo, em um dos barracos, José Maria disparou tiros contra os policiais do Bope, que revidaram a agressão e acertaram dois tiros no garimpeiro”, destacou.

No barraco dele foram encontradas duas espingardas cartucheiras, uma de cano longo e outra de cano curto, de calibre não identificado. Além disso, havia invólucros de pólvora, chumbo, pote com espoleta, cartuchos intactos e outros deflagrados, além de dois invólucros de quantidade não especificada de substância semelhante a ouro. A família de José Maria, oriunda de Rondônia, reconheceu o corpo, que foi liberado na manhã da última terça-feira (08). As forças de segurança estaduais vão permanecer mais algum tempo no município para reforçar o efetivo a fim de evitar aumento da criminalidade. 


Comentários







Preencha o formulário e seja o primeiro a comentar esta notícia

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site. Clique aqui para denunciar um comentário.



ENQUETE
A quem interessa a rixa entre o governador Mauro Mendes e o prefeito Emanuel Pinheiro?
Ao governador do Estado
Ao prefeito da Capital
Aos grupos políticos que miram as eleições de 2020
Isso só prejudica a população em geral
PARCIAL