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Quinta-Feira, 01 de Janeiro de 2015, 20h:34

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A platéia só deseja ser feliz

ENOCK CAVALCANTI

Na cerimônia aberta à população, o povo só apareceu para fazer protestos a favor. Populares, políticos, empresários e até o cacique xavante Raoni se unem para torcer pelo sucesso de Pedro Taques à frente do Governo do Estado. O velho cacique Julio Campos

Um momento forte para a Cultura de Mato Grosso: na festa de posse de Pedro Taques (PDT), o novo secretário de Cultura, maestro Leandro Carvalho, foi tão aplaudido quanto o novo governador. O público não vacilou e ficou de pé, para consagrar a precisa execução, pela orquestra do Estado, comandada por Carvalho, de “Quilombinho”, música composta pelo mestre José Agnelo Ribeiro, no longínquo ano de 1881. A festa no Centro de Eventos do Pantanal tão teve alarde. Não se registrou o arrastão de populares para inchar o plenário, como nos tempos de Dante de Oliveira (PSDB). O público chegou até o salão, basicamente, pelas próprias pernas e tinha pose de classe média. Novos e velhos entusiastas da política (ou da anti-política?) desse procurador da República que virou fenômeno eleitoral desde que resolveu trocar o Ministério Público pela carreira eleitoral. Em meio à festa de Pedro Taques, com a maioria da população preferindo curtir o feriadão em outras atividades, protesto só a favor. Lá estava a representação dos aprovados no concurso para a Policia Militar e o Corpo de Bombeiros, com suas camisetas amarelas e suas faixas que exaltavam os compromissos e a ética do novo governador, ao mesmo tempo que cobravam a nomeação que a administração de Silval Barbosa (PMDB) não conseguiu efetivar. Eram 8 horas da manhã e os manifestantes já estavam lá, para garantir espaço. Chegaram tão cedo quanto o cacique xavante Raoni, que informava nunca antes ter sido lembrado para participar de uma cerimônia de posse em Mato Grosso. Lohayne Gabriela, 19 anos, era uma das manifestantes e contava que metade daqueles que fizeram as provas em janeiro de 2014 e conseguiram a aprovação continuam esperando que o concurso seja completamente validado. Eram 1.200 vagas na Policia Militar e 300 vagas no Corpo de Bombeiros – e Silval só garantiu a nomeação de 50% dos aprovados. “Agora confiamos no Pedro Taques para nos fazer Justiça. Estamos querendo começar a trabalhar e ajudar a acabar com a violência que assusta a todos”, explicava Lohayne, certa de que, articulados em torno da Aspramat (Associação dos Praças Militares da PM e BM de Mato Grosso), tem chance de vitória. Afinal de contas, para surpresa de muitos, saiu da Aspramat um dos mais votados suplentes da nova Assembléia Legislativa, o Cabo PM Elizeu Nascimento (PSDC). Papiloscopistas, técnicos e peritos criminais, reunidos em torno do presidente do sindicato, Idejair Conceição, também apareceram para demonstrar insatisfação, mantendo o tom de respeito e admiração pelo novo gestor. A categoria está estranhando que, falando tanto em mudança, o novo governo mantenha, no comando da Politec, o perito Rubens Okada que reina na repartição desde a gestão de Blairo Maggi. A categoria reclama não ter sido ouvida e avalia que a permanência de Okada é fruto do apadrinhamento que recebeu de outra perita, Patrícia Fachone, esposa de um promotor de Justiça. “Estamos com o governador Taques mas queremos ser ouvidos”, atestava Idejair. O ex-senador e ex-vice-governador Márcio Lacerda (PMDB), entreouvido em um canto do salão atulhado de gente, vibrava com a expectativa do Pedro Taques governador tocar, agora, a implantação da Hidrovia do Rio Paraguai – obra que ele foi quem mais trabalhou para paralisar, no tempo em que atuava como procurador da República. “O tempo é senhor da razão”, filosofava Lacerda, ao lado de um grupo de amigos da região de Cáceres, sua base política. A reportagem acompanhou a chegada do apressado prefeito de Denise, Pedro Tércio (PSD) que, no corre-corre da virada do ano, acabou de vestir o paletó e a gravata praticamente na porta do Centro de Eventos. “Não podia ficar fora dessa. A expectativa de todos nós, prefeitos do interior, com relação ao governo de Pedro Taques é muito grande. Nossa economia está exaurida, precisamos de alguém que reverta esse processo de sucateamento dos pequenos municípios”, disse. Outro entusiasmado com os novos tempos era o empresário Mário Cândia que, ao mesmo tempo que falava das boas perspectivas para obras de infra-estrutura, no novo governo que se abre, assegurava que não tem o que reclamar do governo recém-finalizado de Silval. “Os problemas que aconteceram com as obras da Copa foram devidos à urgência imposta aos projetos. Agora, chegou a hora de dar a volta por cima”, pregava Cândia que, no salão, se acomodou ao lado de outro ativo empreiteiro mato-grossense, Jorge Pires de Miranda. “Pedro Taques assume sob o signo da esperança”, resumiu Cândia. Para outra figura de destaque, o desembargador Orlando Perri, presidente do Tribunal de Justiça, que circulava entre os corredores lotados do Centro de Convenção, Pedro Taques já começou a fazer o mais importante: dialogar. “O ano de 2015 vai ser um ano de muitos desafios. O Judiciário já cortou tudo que podia cortar e queremos começar o ano nomeando 12 novos magistrados e, pelo menos, 250 novos servidores. Para garantir isso, que nos é cobrado pela sociedade, tem que haver bom senso e isso o novo governador tem de sobra”, argumentava. Governador e liderança política em outros tempos, o ex- deputado federal Júlio Campos (DEM), que está encerrando sua carreira, agradecia a Deus por sua presença em Cuiabá, neste 1º de janeiro. “Estive às portas da morte, devido a uma complicação de hepatite com diabete, mas Deus mais uma vez me resgatou. Estou por aqui mas reconheço que nosso grupo já não tem força para exigir muita coisa.” E finalizou com uma enorme gargalhada: “Sobramos tão poucos, vamos exigir o que?!”. Em meio às expectativas dos políticos e lideranças da sociedade por novos rumos na administração, foi mais tranqüilo o desfile discreto da primeira dama, Samira Martins e da esposa do vice-governador, Claudineia Vendramini Favaro, ao lado de seus maridos. As duas em vistosos vestidos rodados. Ao contrário de Thelma de Oliveira, que ainda encontrava tempo para entrevistas e rápidas articulações com correligionários que prestigiaram a festa, Samira e Claudineia primaram pelo silêncio, enquanto seus maridos cuidavam da oratória. Além de técnico, neste dia 1º, o governador Pedro Taques inaugurou um governo pesadamente masculino.

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