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Terça-feira, 29 de Janeiro de 2019, 17h:11

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Documentário explora gravações com depoimento de serial killer americano

GUSTAVO FIORATTI
Da Folhapress – São Paulo
Bonito, elegante, tímido e educado. Essas eram características que, segundo vários dos entrevistados da série documental "Conversando com um Seria Killer: Ted Bundy", marcavam a personalidade deste psicopata célebre a que o título da obra se refere. Na infância, ele ia ao bosque para fazer armadilhas para animais. Uma amiga daquela época conta que Bundy tinha pais dedicados e frequentava a igreja. Ela também achava que ele era "diferente", qualidade que atribui a um problema na fala e também à falta de habilidade física exibida por outros meninos. Nascido no condado de Bradford, nos EUA, Theodore Robert Cowell tornou-se nos anos 1970 um dos assassinos em série mais temidos dos Estados Unidos. Foi por causa dele, diz um investigador entrevistado, que os EUA começaram a se familiarizar com o termo assassino serial. Em quatro capítulos, a série procura fazer um perfil psicológico detalhado de Bundy, ouvindo pessoas que foram próximas, uma ex-namorada e investigadores. O fio condutor são gravações de depoimentos do assassino ao repórter Stephen Michaud, que entrevistou Bundy no corredor da morte (ele foi morto na cadeira elétrica em 1989). É a oportunidade de ouvir um reconhecimento que o psicopata faz dos próprios crimes que cometeu, estimados em mais de 30. "Eu compensava o que considero ser um dos aspectos mais vulneráveis, minha introversão, sendo aparentemente distante, arrogante e intelectual", disse o assassino, durante uma das entrevistas. Conforme o perfil de Bundy é construído, a série apresenta a teoria de que o surgimento de casos de assassinatos em série nos EUA estariam relacionados a uma reação de homens a direitos e liberdades conquistados pelas mulheres, com o fortalecimento de movimentos feministas. Não seria apenas a personificação de um ódio oculto a elas, mas também a abertura de oportunidades que psicopatas enxergaram em uma cultura nova. Mulheres haviam conquistado espaço, por exemplo, para expressarem sua sexualidade e andarem mais sozinhas em espaços públicos. Além de trazer essa associação com a vida cultural americana nos anos 1970, o documentário dá ao espectador a oportunidade de entender o jogo estabelecido entre Bundy, com suas reservas sobre falar de seus crimes, e Michaud, que precisava extrair informações de seu entrevistado. Depois de diversas conversas frustradas, Michaud decide fazer perguntas a Bundy referindo-se a um assassino em terceira pessoa. "Me diz que tipo de pessoa você acha que faria isso [assassinar brutalmente meninas entre 18 e 21 anos]?", pergunta o repórter. "Parecia que eu tinha aberto pra ele uma avenida para ele finalmente contar sua história sem dizer nada que pudesse ser levado ao tribunal", descreve o jornalista. "Talvez esse indivíduo achasse que, com a violência, com essa série de atos violentos, apesar de cada assassinato deixar alguém assim faminto, insatisfeito, também o deixaria com a crença claramente irracional de que da próxima vez que ele agisse, ele se sentiria satisfeito", ouvimos Bundy responder. Formado em Psicologia pela Universidade de Washington, Bundy manifestava repulsa também às manifestações de estudantes simpáticos a pautas progressistas ou mesmo daqueles que se organizavam para protestar contra a Guerra do Vietnã. O documentário traz dados como sua inclinação ideológica conservadora, o apoio ao partido Republicano e a Richard Nixon, presidente dos EUA entre 1969 e 1974. No filme, ouvimos ele dizer que estudantes usavam "movimentos contra a guerra para encobrir delinquentes que gostavam de se sentir imunes à lei." Ele também se posiciona "contra esses radicais socialistas que só queriam depredar os prédios".

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