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Sábado, 03 de Janeiro de 2015, 14h:37

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Um sertanejo à disposição da sociedade

VANESSA MORENO

Lançamentos de um CD e um DVD estão entre os projetos do cantor e compositor Beto Dois a Um para 2015

“Em 2015 pretendo dar uma impulsionada na cantoria”. Para o novo ano Alberto Machado, mais conhecido como o Beto, cantor do Dois a Um há 16 anos, prevê o lançamento de um CD e de um DVD de duetos que reunirão amigos cantores regionais e nacionais que fizeram parte da carreira da dupla até o momento. Hoje o artista concilia sua carreira, que soma dez CDs gravados, dois DVDs e mais de mil shows, com sua gestão como Secretário de Cultura do Município de Cuiabá. Em 2014 foi lançada a música “Tira a Mão de Mim” que foi muito bem trabalhada durante o ano mas, em função de sua gestão na secretaria, o ritmo da carreira musical está modificado. “Eu evito fazer shows durante a semana porque eu tenho que estar aqui, então eu diminui a quantidade, mas acho que melhorei a qualidade”, afirma Beto que continua seguindo a carreira na dupla com o parceiro Ivan e fazendo muitos shows e conseguindo conciliar bem o seu trabalho como secretário. Beto começou apenas como cantor e passou a desenvolver habilidades que o levaram até onde está hoje. Além de cantar e estar à frente da secretaria, Beto realiza eventos e tem parceria no comando da Rádio Mega FM e do jornal Folha do Estado. Sobre sua vocação, afirma: “Gosto de fazer, é o que me dá prazer, o artista busca mais o reconhecimento do que a compensação financeira.” E completa: “Secretário eu estou, músico eu sou”. Como secretário diz que é muito dedicado, pois acredita que a cultura é uma pasta que precisava de transparência e que precisava mostrar ao artista que a Secretaria de Cultura é o espaço dele. ”Eu entendo que a secretária não é pra bancar o fazer artístico de Mato Grosso, mas ela está aqui pra dar o apoio e a gente vem tentando com o nosso pequeno recurso atender da melhor forma possível às mais diversas manifestações culturais”, garante. Beto se envolveu na política quando se candidatou a vereador, pelo PHS, em 2012, por acreditar na política e ser um cara crítico. “Criticar e ficar de braços cruzados é moleza. Eu entendo que as pessoas que se sintam melhores intencionadas, melhores preparadas, devem se colocar à disposição da sociedade”. Como candidato não alcançou a vitória, mas teve uma boa quantidade de votos como o mais votado em sua legenda. Sua experiência como candidato o aproximou das lideranças do setor e, em agosto de 2013, foi convidado, pelo prefeito Mauro Mendes, a ocupar o cargo de Secretário de Cultura. Como secretário, assegura possuir bom relacionamento com a política e acredita que deve isso à música, que abre muitas portas. Como músico realizou diversas campanhas políticas para candidatos e cultivou amizade com muitos deles. ”Tenho bons amigos na política e eu tento cultivar boas amizades como em qualquer segmento.” Nunca sofreu preconceito por ser do segmento sertanejo, mas acredita que quando assumiu a pasta da Cultura, em Cuiabá, despertou certo medo nas pessoas que achavam que, por ser cantor sertanejo, privilegiaria mais o segmento de onde veio. Hoje garante que essa desconfiança acabou. “O mundo sertanejo é autossustentável em Mato Grosso, ele não tá no ponto que deveria estar, mas é autossustentável.” Acha que tem outros segmentos no Estado que precisam de apoio do poder público e trabalha no foco da necessidade de igualar as situações “Hoje tenho um bom diálogo com a classe, tenho bons amigos e gosto de estar me relacionando e acho que ainda vamos construir muitas coisas juntos no próximo ano”, prevê. Um grande destaque realizado na secretaria em 2014 foi a Arena Cultural durante a Copa do Mundo. “Foi, sem dúvida nenhuma, um grande evento que aconteceu na cidade”, avalia. Cuiabá foi a única cidade sede da Copa que fez um projeto cultural para os visitantes em paralelo ao Fifa Fan Fest. A prefeitura entendeu a necessidade de construir um espaço para abrigar a cultura mato-grossense com shows, apresentações, festival de cururu e siriri. “Nós conseguimos mostrar as nossas tradições, as nossas raízes e a nossa cultura pro Brasil inteiro”. O evento ganhou destaque nacional e será agora realizado todo ano, independentemente da Copa do Mundo. “Essa é mais uma conquista para que nós possamos potencializar a nossa cultura”, comemora. O novo governador Pedro Taques (PDT) inspirou o prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes, no enxugamento das pastas para o próximo ano. O resultado foi a fusão das três secretarias municipais: Cultura, Turismo e Esporte. Essa decisão afeta vários ativistas culturais mato-grossenses que acreditam que a medida não será benéfica para a classe. Mas Beto carrega a opinião de que, na fusão, o orçamento e o fundo municipal continuam os mesmos. “Eu, como produtor cultural, gostaria de uma secretaria só pra mim com um orçamento dez vezes maior, mas como gestor dentro dessa pasta entendo a necessidade da gente diminuir os custos operacionais para que sobrem mais recursos para “o fazer” artístico,” defende. Mesmo em meio à crise que Mato Grosso vem enfrentando neste fim de ano, Beto acredita que o mais importante é continuar apoiando financeiramente a cultura, diminuindo os gastos, com uma estrutura mais enxuta. ”É uma necessidade para que a gente consiga ampliar o apoio cultural da prefeitura aos projetos culturais”. Quanto a Secretaria Estadual de Cultura, que corre o risco de ser extinta para se tornar uma possível Secretaria de Bem Estar Social com várias diretorias, Beto discorda, mas espera que Pedro Taques faça um bom trabalho “O Pedro ouve atentamente a cada uma das explicações e das propostas e tenho certeza que ele vai tomar uma decisão bem pensada”,confia.

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