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Cuiabá MT, Sexta-feira, 24 de Janeiro de 2020
ECONOMIA
Quarta-feira, 15 de Janeiro de 2020, 07h:44

INVESTIMENTOS

Ações ligadas a saúde, educação e consumo são apostas para 2020

Melhora na economia e juros baixos são fatores positivos, dizem analistas. Tensão EUA-Irã, porém, pode afetar ganhos

GABRIEL MARTINS
Especial para o DIÁRIO

A Bolsa de Valores brasileira, a B3, fechou 2019 com alta de 32%: saiu dos 87 mil pontos do início do ano para o patamar de 115 mil pontos. Analistas acreditam que, em 2020, o desempenho pode ser ainda melhor, puxado pelas ações das blue chips (ações seguras, de empresas líderes do setor) e de companhias ligadas ao consumo doméstico, com o Ibovespa, seu principal índice, atingindo os 140 mil pontos.
A expectativa de um crescimento da economia acima de 2% este ano, além da retomada do mercado de trabalho e uma possível revisão do rating do país pelas agências de classificação de risco reforçam uma perspectiva mais positiva para o mercado de ações.
“Acreditamos que a Bolsa alcance o patamar de 140 mil pontos este ano. Esse número vem em linha com as projeções de que as empresas do Ibovespa podem avançar ainda mais em seus segmentos”, afirma Rafael Antunes, sócio da Inove Investimentos, com base em relatórios da XP.
Entre as ações que são vistas como potenciais impulsionadoras da Bolsa estão Petrobras, MRV, Lojas Renner,Natura e Yduqs.
Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, destaca que a venda de ativos não estratégicos permitirá à Petrobras crescer de forma mais consistente neste ano, mesmo em meio à tensão entre Estados Unidos e Irã, em decorrência do assassinato do general Qassem Soleimani, no início deste mês.
“O ano passado foi importante para a Petrobras, especialmente em relação aos desinvestimentos feitos, além da desalavancagem (redução do endividamento). Essas medidas contribuem para melhorar o operacional da empresa”, diz Arbetman, que projeta um preço-alvo de R$ 37 para as ações da estatal em 2020.
POTENCIAL - Sandra Peres, analista da Terra Investimentos, que também vê potencial na Petrobras, argumenta que as movimentações para blindar a companhia da volatilidade da cotação internacional do petróleo e da intervenção governamental são positivas: “As medidas da estatal para blindar os preços em meio às tensões internacionais e evitar ingerência do governo são sinais positivos para o mercado”, afirma a analista, que projeta preço-alvo de R$ 38 para o papel.
Em 2019, das cinco ações que mais se valorizaram, três delas estavam atreladas ao consumo interno:Qualicorp (do ramo de saúde, com alta de 250,9%), Via Varejo ( 158,5%) e Magazine Luiza (120,9%).
De acordo com analistas, setores como saúde, educação, varejo e construção devem ter um desempenho tão bom ou até superior ao de 2019.
“Juros na mínima histórica, projeção de inflação controlada e reformas econômicas contribuem para que o ambiente de negócios melhore e, consequentemente, os ganhos em Bolsa também”, avalia Sandra.
Arbetman, da Ativa, acredita que as ações da Yduqs (antiga Estácio) têm potencial de ganho em 2020, tanto pelas aquisições quanto pela melhora da economia brasileira: “A compra da Adtalem e a expansão dos cursos, principalmente no ambiente virtual, aumentam a presença da empresa no setor, que tende a se aquecer, uma vez que as pessoas voltam a ter renda e querem investir na própria educação”, explica o analista, que estima preço-alvo de R$ 55 para as ações da Yduqs.
Em outubro, a Yduqs fechou a aquisição de 100% da Adtalem (dona de Ibmec e Damásio) por R$ 1,9 bilhão. Com a aquisição, a controladora da Estácio passou a ter cerca de 700 mil alunos.
Ainda na esteira de uma economia mais aquecida, empresas ligadas à infraestrutura também são bem- vistas pelos analistas para compor a carteira de ações para 2020. Presente na carteira da XP, por exemplo, a EcoRodovias tem preço-alvo de R$ 17.
“A EcoRodovias é uma empresa que tende a ganhar tração ao longo dos próximos meses. O setor todo de infraestrutura, que envolve desde a parte de construção de unidades habitacionais ao fornecimento de insumos, como aço, já teve boa valorização em 2019. A projeção é que essa tendência se repita este ano”, afirma Antunes, da Inove.
CAUTELA - As exportadoras, como Vale (minério de ferro) e Suzano (celulose) também aparecem entre os papéis que tendem a oferecer bons retornos. Os analistas, porém, ressaltam que algum choque de produção internacional ou um novo capítulo na guerra comercial entre China e EUA pode afetar, pontualmente ou de forma persistente, essas ações.
“Vale e Suzano são bem-vistas e têm espaço nas carteiras em 2020. A demanda externa por minério e celulose, principalmente da Ásia, continua forte. Mas vale lembrar que, se o acordo comercial (com a China) não for assinado ou se a tensão entre EUA e Irã produzir algum choque global, o cenário de ganhos pode ser invertido — diz Sandra, que estima um preço-alvo de R$ 57 para a Vale e de R$ 46 para a Suzano.
Arbetman, da Ativa, também destaca que um possível retrocesso nas negociações entre China e EUA pode afetar o mercado, além da saída do Reino Unido da União Europeia, prevista para o próximo dia 31: “Pequim e Washington confirmaram a fase um do acordo, mas isso ainda é só o primeiro passo. E vamos passar pelo Brexit, que pode gerar movimentações negativas, mesmo que pontuais”.


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