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ECONOMIA
Terça-feira, 04 de Junho de 2019, 09h:25

MAL DA VACA LOUCA

Caso atípico não coloca qualidade da carne de MT em risco

MARIANNA PERES

“O Brasil continua classificado com o status de risco insignificante para Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB). Está é a principal e a melhor informação que poderíamos ter”, afirma o presidente do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), o médico veterinário Guilherme Nolasco. A afirmação veio após a confirmação de um caso da doença – também conhecida como ‘vaca louca’ - ontem pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em uma propriedade rural do Estado.

A confirmação de ‘risco insignificante’ está impressa em uma nota técnica do Mapa, enviada ontem. O documento oficial diz que amostras de tecido nervoso da vaca – uma nelore nascida e criada em uma fazenda de Nova Canaã do Norte – foram recolhidas e enviadas para análise laboratorial em Pernambuco (PE), no dia 5 de abril, data em que foi realizado o abate de emergência em um “matadouro-frigorífico sob inspeção federal”. A confirmação foi feita ontem, data em que as autoridades brasileiras concluíram a emissão do resultado final por laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Após a confirmação, o Brasil notificou oficialmente à OIE e os países importadores, conforme preveem as normas internacionais.

A confirmação da doença – na variação atípica – chega em um momento importante da promoção da carne bovina estadual no mercado asiático. A missão mato-grossense, realizada no mês passado, voltou de lá com a certeza de que é possível ampliar as exportações de carnes e avançar em produtos de maior agregado. Por isso a manutenção do ‘status’ sanitário é importante. A EEB é a segunda maior barreira sanitário-comercial enfrentada às carnes, atrás apenas da febre aftosa.

O bovino em questão tinha 17 anos, alimentado a pasto apresentou sintomas neurológicos após um longo stress de transporte, condição que afasta a possibilidade da forma Clássica da doença da ‘vaca louca’ em Mato Grosso, como destaca Nolasco.

“O caso em investigação pelo Ministério da Agricultura foi considerado mais um episódio atípico da EEB em Mato Grosso e reafirma a seriedade, transparência e eficiência do Serviço Veterinário Oficial em realizar a Defesa Sanitária Animal”.

Como informou ontem, nunca houve registro da presença de casos de EEB clássica nem no Estado e nem no País. “O desenvolvimento dos casos clássicos ocorre quando o bovino se alimenta de subprodutos derivados de proteína animal, o que não ocorre no País. A alimentação do rebanho é prioritariamente a pasto e a suplementação com ração de origem vegetal. Nós temos um dos rebanhos mais saudáveis e a nossa carne atende a todos os padrões de qualidade e sanitários”, afirma Guilherme Nolasco.

A receita das exportações mato-grossenses de carnes bovinas cresceu quase 12% no primeiro quadrimestre desse ano quando comparada ao faturamento contabilizado de janeiro a abril do ano passado. Foram US$ 88,61 milhões ante US$ 77,36 milhões. Em volume, o incremento é quase 27%.

Por duas vezes a doença atípica assustou o produtor mato-grossense. A mais recente foi em 2014, um caso na região de fronteira entre Cáceres e a Bolívia, no oeste de Mato Grosso.

O outro, em 2011, exigiu o abate declarado de 350 bovinos, após uma fiscalização conjunta do Mapa e do Instituto Mato-grossense de Defesa Agropecuária (Indea/MT). Os animais tinham sido alimentados com proteína animal, o que representa um risco para a disseminação de doenças, entre elas a da ‘vaca louca’. De acordo com as autoridades sanitárias, a utilização de qualquer proteína de origem animal, exceto produtos lácteos, na alimentação, é proibida, mas esses bovinos estavam fazendo uso da ‘cama de aviário’ formada de restos de ração, penas, substratos e fezes.

Na Europa, a vaca louca surgiu em 1986 e até hoje eles não conseguiram eliminar, porque a doença é uma incógnita. A proibição do uso da cama de aviário foi determinada em 1996, quando a doença atingiu a Europa.

A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) realiza um trabalho de orientação junto aos pecuaristas para que não utilizem proteína animal na alimentação dos bovinos, como a ‘cama de frango/cama de aviário’.

Em mais de 20 anos de vigilância para a doença, o Brasil registrou somente três casos de EEB atípica e nenhum caso de EEB clássica.


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