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Cuiabá MT, Terça-feira, 18 de Junho de 2019
ECONOMIA
Terça-feira, 28 de Maio de 2019, 02h:00

ECONOMIA

Horizonte com risco de recessão técnica

Indicadores apontam cenário perigoso e possível retorno a momento vivido entre 2015 e 2016

Não bastasse a dificuldade em engatar a retomada consistente nos últimos dois anos, a economia brasileira flerta com a volta ao terreno negativo no início de 2019. Indicadores já divulgados sinalizam baixa do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre - o resultado oficial será apresentado no dia 30 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para elevar a angústia, economistas apontam que a possibilidade de retorno da recessão técnica ao país já aparece no horizonte.

O jargão é usado para descrever dois trimestres seguidos de queda no PIB. Ou seja, seria espécie de aquecimento para a recessão, que é caracterizada pelo declínio expressivo da atividade em diversos setores durante período maior. A última registrada no Brasil foi entre 2015 e 2016. Na ocasião, o PIB caiu por oito trimestres consecutivos.

O risco de recessão técnica cresceu após a confirmação de dados frustrantes em segmentos como indústria e serviços entre janeiro e março. Atritos do governo Jair Bolsonaro na relação com o Congresso e a piora no cenário internacional também frearam o desempenho do PIB.

“A economia não ganhou impulso, esfriou no início do ano. Isso retardou ainda mais a retomada, que já era muito lenta”, afirma o economista Thiago Xavier, da consultoria Tendências.

Considerado uma prévia do PIB, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) caiu 0,68% no primeiro trimestre. O indicador no vermelho reforçou as projeções de que o resultado calculado pelo IBGE virá negativo no dia 30.

Ao divulgar o desempenho trimestral da economia, o instituto costuma revisar os números dos três meses anteriores. Como o PIB cresceu apenas 0,1% entre outubro e dezembro do ano passado, há possibilidade de o dado ser atualizado para baixo e, consequentemente, tornar- se negativo. Ou seja, em caso de confirmação do recuo projetado para janeiro e março, a economia já entraria em recessão técnica a partir do dia 30.

“É um risco. Mas, mesmo sem revisão para baixo, o crescimento de apenas 0,1% não representaria grande recuperação”, sublinha o economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rafael Cagnin. “O ano começou com excesso de otimismo. Aí veio o choque de realidade”, acrescenta ele.

FRACO DESEMPENHO - Analistas mencionam que incertezas relacionadas ao avanço de propostas como a reforma da Previdência também podem prejudicar o desempenho da atividade até o final do segundo trimestre. Mudanças no sistema de aposentadorias agradam a setores como o mercado financeiro pela potencial capacidade de auxílio no ajuste das contas públicas e de atração de mais investimentos ao país.

“Ainda não dá para saber o que virá pela frente. Os números preocupam”, pontua a pesquisadora Juliana Cunha, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Entre janeiro e março, o setor de serviços, que representa cerca de 70% do PIB, registrou três recuos mensais consecutivos (veja no gráfico abaixo). Com duas baixas, a produção industrial também abalou o desempenho da economia na largada do ano. Para piorar o cenário, a taxa de desemprego subiu para 12,7%, atingindo 13,4 milhões de brasileiros. Com mais pessoas à procura de trabalho, o consumo das famílias e a produção de empresas tendem a ser represados.

“O país tem condições de crescer, mas há grandes incertezas sobre o conjunto de reformas que têm de ser feitas. Sem mudanças na Previdência ou com uma proposta desidratada, não haverá ajuste fiscal”, observa a economista Margarida Gutierrez, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 


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