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Quinta-feira, 08 de Fevereiro de 2018, 18h:12

Desigualdade e evasão escolar

Além de demonstrar que a desigualdade de renda ficou ainda maior no país, provavelmente devido aos efeitos da recessão, o levantamento focado no rendimento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgado agora, reafirma que o país não está conseguindo pôr em prática ações capazes de permitir uma redução das diferenças. Um dos problemas apontados pelo estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é a dificuldade de redução nos elevados índices de evasão escolar entre jovens. Com um quarto deles fora da sala de aula, na faixa dos 16 ou 17 anos, fica mais difícil assegurar uma elevação da renda média na fase adulta. Ao mesmo tempo, a economia perde em produtividade, o que dificulta a tentativa do país de deixar a recessão para trás. Nada menos de um quarto dos jovens brasileiros ocupados na faixa entre 16 ou 17 anos não frequentavam a escola no ano passado. A evasão é muito maior na parcela dos que precisam trabalhar desde cedo. Ainda assim, as dificuldades financeiras, embora se constituam numa causa importante, não são a única razão. O que explica mais o elevado número de jovens fora da escola no país ainda é a inadequação entre idade e série cursada, em consequência da repetência. Isso significa que, se quiser enfrentar mesmo o problema, o país precisará encontrar uma forma de manter o interesse dos adolescentes pelos conteúdos ministrados em sala de aula, reduzindo os índices de reprovação. Uma consequência direta do alto percentual de jovens sem formação adequada é o elevado número de brasileiros que não ganham sequer um salário mínimo. Conforme o estudo, nada menos de 44,5 milhões de pessoas viviam com menos de um salário mínimo em 2016. Esse montante elevado tem impacto direto sobre a qualidade de vida dos trabalhadores, sobre o consumo e a produção, além de contribuir para reforçar as desigualdades de renda que caracterizam a sociedade brasileira. No momento em que o país começa finalmente a sair da recessão, é importante que comecem a ser enfrentadas também as causas das iniquidades de renda. Historicamente, a recuperação dos ganhos dos trabalhadores é sempre mais lenta do que a da atividade. Alcançar maior equilíbrio exige um tempo ainda maior. O país, portanto, precisa persistir na correção dessas deformações com políticas continuadas, promovendo ações que venham a assegurar resultados positivos mais à frente. No momento em que o país começa a sair da recessão, é importante que comecem a ser enfrentadas também as causas das iniquidades de renda

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