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Sábado, 03 de Janeiro de 2015, 14h:44

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Folia de Reis

Povo sem tradição é ajuntamento de pessoas sem histórico e sem identidade. Mato Grosso, estado em fase de ocupação territorial de seu – ainda – imenso vazio demográfico tem relegado a planos inferiores algumas de suas principais tradições, como é o caso da Folia de Reis. No século XVIII católicos de várias partes do mundo, incluindo o Brasil e de modo especial Mato Grosso, passaram a realizar anualmente Folias de Reis, para reverenciar os três reis magos Belchior, Gaspar e Baltazar. Segundo relatos bíblicos o trio visitou o Menino Jesus na estrebaria onde sua família se abrigava e o presenteou. A visita aconteceu em 6 janeiro, 12 dias após seu nascimento, portanto no alvorecer da era cristã. A reverência tem duas razões: o ato em si e o fato de que os visitantes não revelaram ao rei Herodes o local onde o bebê se encontrava, para evitar que aquele monarca o matasse, conforme era seu plano. O ponto alto da Folia de Reis acontece em 6 de janeiro, mas alguns dias antes e depois daquela data, grupos de músicos e dançarinos percorrem estradas e ruas batendo de porta em porta com sua cantoria em homenagens aos três reis magos. A Folia de Reis que inicialmente era manifestação de membros da igreja católica extrapolou os limites daquela doutrina religiosa ganhando amplitude cultural, tornando-se assim uma espécie de patrimônio imaterial da humanidade. Em muitas regiões do Brasil a Folia de Reis é importante evento do calendário cultural. Pequenas e médias cidades mineiras são palcos de belas manifestações dos foliões com suas vestes coloridas, seus instrumentos musicais e com sua melodia marcada pela toada. Em São Paulo, Goiás, Rondônia, no Nordeste e em tantos outros lugares essa tradição secular é mantida pelos moradores e conta com incentivos dos órgãos públicos dos segmentos de cultura e turismo. Mato Grosso foi cenário de belas Folias de Reis. Atualmente essa manifestação agoniza. Alguns grupos lutam para mantê-la em Salto do Céu, Nossa Senhora do Livramento, Vila Bela da Santíssima Trindade e São José do Couto no município de Campinápolis, além de alguns outros lugares. Apesar dessa luta, não há expansão dessa atividade cultural e ano após ano seu esvaziamento é visível, palpável. Mato Grosso precisa resgatar a tradição cultural da Folia de Reis. O novo secretário de Cultura do Estado, Leandro Carvalho, é maestro e conhecedor profundo da realidade na área de atuação de sua secretaria. Tomara que ele se sensibilize com a situação e crie mecanismos para revitalizar tanto aquela quanto outras manifestações sufocadas por aquilo que bem pode ser rotulado de síndrome da futilidade. Que Mato Grosso lance as sementes da retomada de sua identidade cultural. Precisamos fortalecer nossas tradições e com esse fortalecimento criarmos elos nas diversas camadas sociais, gerarmos emprego e renda, ocuparmos espaços ora preenchidos pela futilidade que nasce no pior dos vazios: o vazio da cultura. Que Mato Grosso lance as sementes da retomada de sua dentidade cultural








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