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Segunda-Feira, 22 de Dezembro de 2014, 20h:16

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Pacto contra a corrupção

Qualquer brasileiro, menos os que se beneficiam da corrupção, assinaria o pronunciamento feito pela presidente Dilma Rousseff na cerimônia de sua diplomação para o segundo mandato, na semana passada, no Tribunal Superior Eleitoral. Disse a presidente: Temos que punir as pessoas, não destruir as empresas. Temos que punir o crime, não prejudicar o país e sua economia. Temos que fechar as portas, todas as portas, para a corrupção. Não temos que fechá-las para o crescimento, o progresso e o emprego. O discurso é oportuno e sensato, mas está distante da prática do próprio governo, que não soube controlar os desmandos administrativos na Petrobras e ainda reluta em substituir a sua diretoria, apesar das evidências de que o alto comando da empresa foi omisso diante dos alertas recebidos. Tem razão a presidente ao afirmar que a corrupção é um mal entranhado no setor público por herança cultural do patrimonialismo que mistura o público com o privado. E acerta a senhora Dilma Rousseff ao advertir que nada justifica a inoperância das autoridades no sentido de agir preventivamente. O atual governo está claramente incluído entre os que adotaram uma postura frouxa diante da ação de corruptos, dentro da máquina pública, que agem em favor de corruptores agora bem identificados. Também merece avaliação crítica a observação da mais alta autoridade do país de que as investigações dos escândalos da Petrobras não podem comprometer um patrimônio de todos. A estatal está sendo desmoralizada por falhas de conduta e de controle dos que a administram. Quem não se preocupou em preservar a Petrobras foram os que deveriam protegê-la, começando pelo próprio governo, que tem seu controle acionário e sua gestão. O que fica de positivo da manifestação da presidente é o desejo de conduzir um pacto contra a corrupção que envolva todas as esferas de poder. O ideal é que essa intenção seja claramente demonstrada pelo governo que a propõe e que até agora vinha sendo titubeante em relação a providências corretivas. Esse pacto não pode passar pela possibilidade de anistia ou perdão para corruptos, corruptores e, principalmente, para políticos que traíram os seus mandatos e os seus representados ao se beneficiar das propinas pagas por prestadores de serviço da estatal. Por fim, enquanto reage aos desmandos, o governo precisa definir os primeiros passos do segundo mandato, para que não seja paralisado pelos efeitos dos atos criminosos que não soube evitar. O governo deve ser o primeiro a agir, para que o pacto contra a corrupção, proposto pela presidente, deixe de ser mais um apelo inconsequente.








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