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Enipec 2002
Quarta-feira, 13 de Março de 2002, 11h:23

Produção leiteira é tema de debate

Marianna Peres
Da Reportagem
A produção leiteira em grande escala para abastecimento do mercado interno e externo continua sendo um desafio para a pecuária mato-grossense. Na contramão da evolução do rebanho bovino de corte – que já abastece o exterior e conta hoje com cerca de 20 milhões de cabeças - as bacias leiteiras, ainda incipientes e com pouco emprego de tecnologia, estão compostas por apenas cerca de 5% a 8% de exemplares. Ou seja: de 1 milhão a 1,2 milhão de vacas. A baixa qualidade do leite do Estado é fruto da falta de tecnologia empregada para o ordenhamento e armazenamento do produto, que para não ser contaminado com bactérias deve ser resfriado imediatamente após a ordenha. “Na verdade, muitos produtores investiram na qualidade do gado leiteiro, em tecnologia, têm conhecimento sobre o assunto, são bem assessorados, mas não usufruem de nenhuma política pública para o setor”, alerta o pecuarista de Juscimeira, Jairo Franco Senfrio. “Para aumentar a qualidade do leite da minha fazenda, investi em aparelhagens cerca de R$ 28 mil. Tanto afinco por nada. Hoje paga-se ao produtor até R$ 0,27 por litro do leite resfriado (o armazenado em tanque sem resfriamento é mais barato). Em agosto do ano passado, esse valor era de R$ 0,36, mas há 15 anos, era de R$ 0,48. Falar que nosso leite não tem qualidade é muito fácil, mas não há incentivo para a modernização dos produtores”, questiona o pecuarista João Augusto, representante do Sindicato Rural de Jaciara. Para o médico veterinário Zeno Albert, outro ponto que desfavorece o setor e resulta em baixa produtividade na hora da ordenha é a deficiente alimentação do rebanho leiteiro. “Há grandes intervalos entre os partos, o que faz com que a matriz permaneça de seis a 12 meses sem produzir. O capim, que é o alimento mais barato e de alto valor nutritivo, não é mais a principal fonte alimentar”, explica. “Quanto mais capim o gado come, mais cálcio terá o leite produzido pela vaca”, comenta o pecuarista Jairo Senfrio. A discussão acerca do tema foi gerada pela palestra do professor da Universidade de Viçosa (MG), Sebastião Brandão, no primeiro dia do Encontro Internacional dos Negócios da Pecuária (Enipec), que trouxe à tona muitas das angústias vivenciadas pelo setor. Em cerca de 50 minutos, o palestrante alertou para a busca da qualidade leiteira. “Do que adianta eu fazer o resfriamento adequado do leite ordenhado, se quem compra o produto armazena leites resfriados (que possuem pouca incidência de bactérias) com o leite que ficou por mais de quatro horas em temperatura ambiente e que está com alto nível de proliferação bacteriana?”, indaga o pecuarista João Augusto. Em Mato Grosso, as principais bacias leiteiras estão localizadas na região do Vale do São Lourenço, no Médio-Norte e Guaporé. Apenas a Cooperativa Agropecuária do Noroeste do Mato Grosso (Coopnordeste), detentora da marca Lacbom, soma cerca de 1,4 mil pecuaristas, que produzem cerca de 1,2 mil litros por dia.

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