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Cuiabá MT, Quinta-feira, 18 de Abril de 2019
A cara de Cuiabá
Sábado, 08 de Abril de 2000, 10h:14

TIME DE FUTEBOL - O Feminino extrapolou e virou Mixto

Considerado time que tem a ‘cara’ de Cuiabá, o alvi-negro nasceu em meio a sessões de sarau e literatura

GIBRAN LACHOWSKI
Da Reportagem
O time mais querido e esculhambado de Cuiabá é idéia de mulher. O que chamamos hoje em dia de Mixto Esporte Clube foi outrora o Clube Esportivo Feminino, dedicado a discussões e saraus sobre a literatura mato-grossense, brasileira e européia. Então líder do clube, Zulmira Canavarros, decidiu em 1934 extrapolar o limite explícito ao nome da agremiação. Em 20 de maio do mesmo ano, o grupo restrito ampliou-se assumindo uma face “meio homem, meio mulher”. Zulmira foi a primeira e única presidenta em toda a história da equipe. O coração mixtense nasceu na rua 7 de setembro, quase em frente da igreja Senhor dos Passos, no centro da capital. Especificamente, na saudosa Livraria Pepe – um casarão construído em estilo colonial e tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. O preto e branco da bandeira, do uniforme e dos inúmeros adereços foram determinados pela diretoria inicial. O hino tem letra e melodia do acadêmico Ulisses Cuiabano e é apresentada pela primeira vez por Zulmira, ao piano. O nome “Mixto” tem a ver com mistura. O “x” no lugar do “s” fica como capricho gramatical, pois na década de 30 o idioma português ainda era muito influenciado pelo latim. Sob novo pensamento, o Mixto amplia seu universo de atividades, incluindo o esporte e mantendo a cultura. O vôlei e o basquete são as modalidades mais disputadas. E os dias de carnaval, o período de maior intensidade de “recreação dançante” (termo utilizado na época). Futebol mesmo, só em 1940. Na primeira partida, derrota inesquecível de 3 a 1 para um grupo de tipógrafos, formado em cima da hora. Local do vexame: o campo do colégio estadual Liceu Cuiabano, situado na avenida Getúlio Vargas. Na era do futebol amador, o Mixto é o maior. Venceu os certames cuiabanos de 1947, 1948, 1949, 1951, 1952, 1953, 1954, 1959, 1961 e 1962 e 65. São tempos em que antes do prélio (ou seja, do jogo), a fila de atletas era puxada pela rainha do clube - com a bandeira em punho - e o mascote. Tempos em que os astros da bola já ouriçam os guardiões da linguagem culta com seus apelidos. Pinto, Mingote, Chupapaia, Gerbes e outros mais. Tem também o Leônidas, inesquecível pela agilidade, pela habilidade. O nosso similar do verdadeiro Leônidas – aquele que inventou a bicicleta –, que teve passagens históricas pelo São Paulo, Flamengo e seleção brasileira. Os adversários atendiam pelos nomes de Riachuelo, São Cristóvão, Boa Vista, Operário de Várzea Grande, Dom Bosco, Americano, Paulistano e Palmeiras. O futebol do Estado resumia-se a Cuiabá e Várzea Grande. Vez por outra o Mixto viajava para Mato Grosso do Sul em busca de rivalidade. A travessia era feita, invariavelmente, de barcaça pelo rio Cuiabá. E se completa de jardineira (um tipo antigo de ônibus) até Campo Grande. Este texto é baseado em consulta ao livro “Egéria Cuiabana”, de Benedito Pedro Dorilêo, edição de 1976.

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