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Quinta-feira, 13 de Fevereiro de 2020, 15h:48

BOTAFOGO

Como Loco Abreu pode inspirar Honda no Botafogo

Japonês chega ao Botafogo com os mesmos 33 anos que o uruguaio chegou em 2010

THALES MACHADO
Da Agência Globo – Rio

Estrangeiros, andarilhos do futebol pelo mundo, ídolos em suas seleções. Midiáticos e que gostam de usar números “diferentes” na camisa e estilos visuais próprios quando se trata do penteado. Há muitas semelhanças entre o japonês Keisuke Honda, que chegou ao Botafogo, e o uruguaio Sebástian “Loco” Abreu, que desembarcou em General Severiano há exatos 10 anos.
Se engana quem acha que é exagero prospectar que Honda possa ter o mesmo sucesso que Abreu por conta da idade. O japonês chega ao Botafogo com os mesmos 33 anos que o uruguaio tinha em 2010. Desde então, ninguém atingiu um nível de idolatria tão grande no clube.
“Hoje, tomando distância de tudo que foi vivido, estou convencido de que o maior erro que cometi em minha carreira foi ter saído do Botafogo. O clube me dava felicidade, mas naquele momento, por um conflito com o treinador, tomei a decisão de cuidar do meu nome. Priorizei a história vivida e resolvi sair”, disse Abreu, hoje com 43 anos, atuando como apresentador de televisão e jogador do Boston River, de Montevidéu, ao jornal “El País”.
A dica pode servir a Honda porque o japonês recém chegou e o botafoguense já deve se preocupar com sua saída. Há uma cláusula no contrato, que vai até o fim do ano, permitindo o rompimento do vínculo se um dos lados estiver insatisfeito em 9 de agosto, um dia após a final masculina do futebol nos Jogos de Tóquio. De longe, parece algo mais vantajoso ao jogador do que ao clube.
Se tudo der certo, Honda faz ótimos cinco meses no Botafogo, consegue a sonhada convocação como um dos três jogadores acima dos 23 anos para as Olimpíadas em seu país e fica livre para conseguir um clube que lhe pague mais que os cerca de R$ 150 mil mensais acertados com o alvinegro. Toda a empolgação da torcida com a contratação poderia virar pó, tendo o clube apenas servido como local para uma pré-temporada visando um objetivo pessoal com a seleção.
Se, pelo contrário, nem tudo for como esperado e Honda demorar a se encontrar em campo, é razoável pensar que algum crédito deve ser dado ao japonês para se adaptar. Se até Seedorf, que conhecia o Rio e falava português, demorou algum tempo para se entender no futebol brasileiro, pensar que Honda, astro e mais experiente do elenco, passará por um teste no primeiro semestre para ver se sua permanência valerá para os momentos decisivos da temporada não parece uma estratégia inteligente.
Outra ponto discutível do contrato é uma disfarçada e possível cláusula de titularidade. Segundo o Globoesporte.com, Honda queria incluir uma garantia de participação em 75% dos jogos. O clube negou, mas há no documento uma estranha prerrogativa: o jogador se compromete a estar em forma, e neste caso, a comissão técnica poderia escalá-lo. Além de passar a impressão que Honda quer muito estar ativo para ser convocado pelo Japão, o que pode ser bom para ambas as partes se ele decidir ficar após agosto, a história relembra a saída e a fala arrependida de Loco Abreu.
Já ídolo do clube, o uruguaio bateu de frente com o técnico Oswaldo de Oliveira, que o colocou no banco em vários jogos. Insatisfeito, rompeu o contrato.
Os temores por uma saída precoce de Honda aumentam se observada sua passagem pelo último clube. Também com problemas com o treinador, deixou o Vitesse, da Holanda, após apenas quatro jogos. Sua penúltima experiência porém, no Melbourne Victory, da Austrália, teve um fim com elogios por parte do CEO da equipe, Trent Jacobs.
“Um profissional em todos os sentidos da palavra. Tivemos a sorte de tê-lo conosco. Ele é obviamente um talento incrível em campo, mas o impacto que teve em nosso clube fora de campo ajudou nosso crescimento. Ele é o preferido dos torcedores e atraiu novas multidões não apenas para nossos jogos, mas também para nossas plataformas digitais”.
As palavras do australiano poderiam também ter saído da boca de qualquer dirigente do Botafogo sobre a passagem de Loco Abreu no clube no começo da década. Até hoje as camisas com o número 13 do atacante são vistas na arquibancada do Nilton Santos, ao mesmo tempo em que os modelos com o número 4 e o nome de Honda começam a ser vendidas — foram sucesso nas lojas do clube no estádio no clássico de ontem contra o Vasco. Diferentemente midiáticos — Honda já chegou explodindo as rede sociais do clube, enquanto Abreu, ainda que tenha chegado com seu charme próprio, foi conquistando sua idolatria aos poucos, com cavadinhas e boas declarações — os jogadores acumulam semelhanças peculiares.
Ambos, por exemplo, mesmo ainda jogando, já foram treinadores à beira do gramado. O uruguaio dirigiu o Santa Tecla, de El Salvador, ao mesmo tempo em que ainda marcava seus gols pelo clube, em 2019. Foi até campeão. O japonês consegue ser ainda mais alternativo: varia entre gerente geral e treinador da seleção do Camboja.
Os dois estão no top 10 da lista de artilheiros históricos de suas seleções: 7º na uruguaia e 4º na japonesa. Loco Abreu chegou ao Botafogo em 2010 perdendo espaço no Uruguai. Era época de ascensão de Forlán e dos jovens Suárez e Cavani, e o veterano virou um reserva de luxo que participou da histórica campanha na Copa do Mundo de 2010 e do título da Copa América de 2011. Honda também chega buscando um apogeu na queda pelo Japão: depois de três Copas, se aposentou da seleção após a Copa de 2018, mas voltou atrás e espera se despedir com uma medalha nos Jogos Olímpicos de Tóquio.
Entre tantas semelhanças, a torcida do Botafogo só espera mais uma: dez anos depois, ter outro ídolo “diferentão” pra chamar de seu.


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