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Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2018, 17h:47

MÚSICA

Chico Buarque de volta aos palcos

Chico Buarque volta à capital paulista para mostrar disco novo e sucessos

LEONARDO VOLPATO
Da Folhapress - São Paulo
Após seis anos sem fazer shows em São Paulo, Chico Buarque retoma seu lugar nos palcos paulistanos para uma maratona de 24 apresentações. O artista, que está com 73 anos e cheio de energia, vai ao Tom Brasil (zona sul) para mostrar aos fãs um repertório que engloba as nove músicas de seu último disco, "Caravanas", que também dá nome à turnê, e outros sucessos de seus mais de 50 anos de carreira. Esse mesmo show já foi realizado nas cidades de Belo Horizonte e Rio de Janeiro. De acordo com o maestro Luiz Claudio Ramos, que divide o palco com Chico, ele está muito animado para chegar com a apresentação a São Paulo. "O diferencial desse show é que Chico está mais solto no palco. Eu realmente não me lembro de vê-lo tão solto como nessas apresentações de agora. Ele adora São Paulo e está ansioso para chegar", revela. Segundo o maestro, as canções ganharão uma nova roupagem em relação ao seu estilo original. "Os arranjos estão mudados, demos uma nova cara às músicas. São faixas de toda a trajetória dele e algumas feitas com parceiros." Entre elas, destaque para "A Moça do Sonho", feita com Edu Lobo, "Massarandupió", elaborada ao lado do neto Chico Brown, e "Retrato em Branco e Preto" e "Sabiá", com Tom Jobim (1927-1994). "Estas duas últimas ele nunca cantou em seus shows. Esta é a primeira vez", destaca Ramos. As canções "Todo o Sentimento" e "Tua Cantiga" são melodias feitas pelo amigo e músico Cristóvão Bastos, que diz se sentir honrado pela lembrança. "A primeira é de 1987, e a segunda, de 2017. Foram 30 anos de diferença, mas a amizade permaneceu intacta", afirma Bastos, que conta o que o público pode esperar do show, já que ele esteve em algumas apresentações no Rio. "O Chico interpreta as músicas, o que gera comunicação com a plateia. Em algum momento, faz um comentário, mas a música fala por si só." NETO - Neto de Chico Buarque, o músico Chico Brown, 21 anos, é um dos homenageados pelo avô na série de shows que ele faz pelo Brasil e que agora chega à capital. Mas, de acordo com ele, quase que essa homenagem não acontece. Tudo por conta de uma música que Brown começou e na qual, a princípio, não colocava fé. Ele conta que quase jogou a faixa "Massarandupió" fora, mas ela acabou sendo escolhida para entrar no repertório do disco "Caravanas". "Eu tinha feito a melodia de "Massarandupió" e, certa vez, toquei-a num almoço de domingo em família. Um dia, meu avô me pediu para enviar algumas músicas para ele ver se colocava letra e surgia uma parceria. Lembro que das cinco que enviei, a "Massarandupió" deu erro e não foi. Eu quase a excluí, pois achei que era a pior. E foi a que ele mais gostou", relembra o neto. Agora, a música, composta em família, é uma das que Chico Buarque canta em suas apresentações. "Ele me chamou para gravá-la em seu disco no ano passado, bem no meu aniversário de 20 anos. Foi um presente", conta. Brown, que atualmente trabalha com um projeto solo e toca teclado e guitarra em duas outras bandas de rap, não descarta aparecer no palco do Tom Brasil com Chico Buarque. "Ainda não veio o convite oficial, mas pode acontecer", diz o músico, que finaliza dizendo o quão influente Chico é em sua vida. "Cresci estudando a importância dele na música. Depois que descobri o trabalho dele, passei a vê-lo com outra perspectiva. Mas em família ele é brincalhão, adora contar piada, fala da vida. É um avô comum", analisa. EXTRAORDINÁRIO - Produtores musicais são unânimes sobre a importância de Chico Buarque para a música brasileira. De acordo com eles, o artista de 73 anos é um dos maiores da história. "O Chico usa raríssimas vezes palavras mais rebuscadas para dizer o que pensa. Ele consegue escrever de forma comum, e isso é um mérito muito grande. Ele só faz coisas extraordinárias", destaca o produtor musical João Marcello Bôscoli. Para ele, o último disco do músico, "Caravanas", é uma obra-prima. "Eu achei incrível, é um disco todo pensado, sem rimas preguiçosas, ricas. Com a idade que ele tem, nem precisaria mais produzir nada. E mesmo assim o cara continua acima da média", completa. Para explicar a importância de Chico no cenário musical, o produtor faz um paralelo com outro artista bastante conceituado. "Ele foi o maior letrista brasileiro do século 20. Ele e o Caetano Veloso. Depois dos dois, basta escolher os outros nove para montar uma seleção. Ele é como um Deus", complementa Bôscoli. Um dos maiores atributos de Chico Buarque, além de suas letras, é a vocação para acertar boas parcerias. O músico já gravou canções com Djavan, Tom Jobim (1927-1994) e Baden Powell (1937-2000), entre outros. "Independentemente das questões pessoais e políticas que ele defende, ele é um gênio. Não é desse planeta." O produtor Carlos Miranda diz que ouviu o disco "Caravanas", mas aponta uma canção mais antiga de Chico como a sua preferida. "É uma parceria dele com o Edu Lobo, chamada "A Moça do Sonho". É lindíssima, é brilhante", elogia. Marco Camargo, também produtor, analisa que Chico levou o Brasil a um outro patamar. "Ele é um compositor que canta suas obras e as representa muito bem porque passa sua emoção. Tem essa maestria de poder interpretar da melhor maneira possível." CHICO BUARQUE: CARAVANAS QUANDO De 1º a 4 de março; de 8 a 11 de março; de 22 a 25 de março; de 29 de março a 1º de abril; de 12 a 15 de abril e de 19 a 22 de abril. Qui. e sex., às 22h; sáb., às 21h30; e dom., às 18h30. ONDE No Tom Brasil (r. Bragança Paulista, 1.281, Chácara Santo Antônio, tel. (11) 4003-1212). QUANTO A partir de R$ 200. (ingressorapido.com.br). 1.800 lugares. 14 anos. Há dias esgotados.

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