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Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2018, 17h:48

CINEMA

Diretor faz sátira a comunidades utópicas

O diretor Alexander Payne conta a verdadeira epopeia que foi para produzir 'Pequena Grande Vida'

RODRIGO SALEM
Da Folhapress - Los Angeles, EUA
O projeto de "Pequena Grande Vida" começou a ser concebido em 2006. A ideia de ter Alexander Payne, diretor e roteirista vencedor do Oscar de melhor roteiro adaptado (ao lado do parceiro Jim Taylor) por "Sideways - Entre Umas e Outras", dois anos antes, parecia um tiro certo para qualquer estúdio. Mas não foi o que aconteceu. "Ouvi 'não' de todos os presidentes dos grandes estúdios", diz Payne à reportagem ao falar sobre sua sátira que trata de comunidades utópicas criadas quando cientistas noruegueses descobrem como miniaturizar seres humanos. "Foi difícil financiar esse filme. Entendo as recusas, pois não é um filme de super-herói, mas uma sátira com orçamento alto." Matt Damon é um terapeuta ocupacional soterrado em um emprego pouco prazeroso, um casamento infeliz e uma vida insossa. Ele tenta a sorte com a mulher (Kristen Wiig) em uma das comunidades em miniaturas onde um trabalhador de classe média pode viver como um ricaço. Lá, ele conhece um playboy contrabandista (Christoph Waltz) e uma faxineira vietnamita (Hong Chau) que, na verdade, é ativista miniaturizada contra a própria vontade por ordens do governo. O projeto consumiu US$ 68 milhões da Paramount e da coprodutora Annapurna. Boa parte foi para as filmagens em quatro locações: além de Toronto, no Canadá, onde boa parte foi rodada no maior estúdio da América do Norte, a produção foi para a Noruega, para Los Angeles e Omaha, ambas nos Estados Unidos. "O cinema americano está inflacionado. Poderia ter feito no Brasil por muito menos e com mais liberdade", reclama Payne, cujo longa mais caro até então tinha sido "As Confissões de Schmidt" (2002), que custou US$ 32 milhões. "Mas metade foi o salário de Jack Nicholson", diz. "Pequena Grande Vida" ganha relevância política moderna quando o personagem de Damon descobre que há todo um ambiente de dejetos sociais vivendo atrás do muro da sua comunidade, imigrantes voluntários (ou não) tentando um lugar ao sol nesse sonho em miniatura. "O planeta parece girar para o lado errado. As pessoas acham o filme contemporâneo e ficam surpresas quando falo que escrevi há dez anos. Bom para o filme, mas ruim para o planeta", diz o cineasta. "E não podemos esquecer dessas crianças de quatro anos que estão brincando com armas nucleares nos EUA e Coreia do Norte." A preocupação com o futuro da humanidade, no entanto, provocou as primeiras grandes críticas a Payne. A segunda metade do seu longa abandona a sátira social cômica para abordar temas ecológicos grandiosos. "Tenho lido críticas negativas", admite. "Acho que elas vêm do fato de ser uma ótima ideia para uma minissérie. Você acompanharia lentamente esse sujeito simples de Omaha e nunca adivinharia onde ele iria parar. Mas como amo o cinema e quis fazer em 2h30, precisei contar de maneira mais rápida." Quem escapou da onda negativa foi a atriz Hong Chau. Apesar de o longa ter rendido apenas US$ 50 milhões no mundo todo, ela passou por cima de acusações de estereotipar asiáticos e foi indicada aos prêmios do Sindicato dos Atores e Globo de Ouro. "Chau entendeu o humor, a história e fez os diálogos funcionarem", conta o diretor sobre a mulher de 38 anos que nasceu em um campo de refugiados na Tailândia antes de se mudar para os EUA, onde cresceu. "Ela, preciso admitir, rouba o filme."

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