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Cuiabá MT, Segunda-feira, 18 de Novembro de 2019
ILUSTRADO
Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2018, 19h:10

ESTIVAL-BERLIM

Diretora esmiúça impeachment de Dilma Rousseff

GUILHERME GENESTRETI
Da Folhapress – Berlim, Alemanha
"O Processo", documentário da brasiliense Maria Augusta Ramos sobre o impeachment de Dilma Rousseff, estreou no Festival de Berlim nesta quarta (21), na esteira de um ato pró-Lula encampado por brasileiros na Europa, e terminou com ovações à ex-presidente e gritos de "Fora, Temer". A abertura mostra a Esplanada dos Ministérios de cima, cindida pela cerca que, durante o ano de 2016, separou "coxinhas" e "petralhas". Apoiada por verba de fundos internacionais, Canal Brasil e crowdfunding, a obra de mais de duas horas de duração perambula entre os dois lados do Fla-Flu político. Das 400 horas de material filmado, extrai um filme que faz despertar gargalhadas de um lado, e catarse do outro. O título, que evoca o romance de Franz Kafka, entrega uma tese: a de que a ex-presidente foi julgada com requintes kafkianos, a analogia aliás feita em certo momento pelo senador Lindberg Farias (PT). A documentarista não se escora em entrevistas, mas leva sua câmera a perambular como testemunha pela arena popular montada em frente ao Congresso e, sobretudo, pelos corredores do Senado -ela não teve autorização para circular pela Câmara, mas a folclórica votação que se deu naquela Casa em abril de 2016 é mostrada logo no início. Desses bastidores, ela extrai o que costuma chamar de "teatro da Justiça": os ritos e idiossincrasias dos meandros judiciais, agora no nível político. Os trabalhos de uma comissão chega a ser comicamente interrompida para que funcionários do Senado aumentem o volume da campainha que acompanha as sessões -é sobre esse tipo de absurdo que a diretora se detém, por exemplo. Acolhida em reuniões dos petistas, sua câmera revela estratégias da defesa de Dilma e, muitas vezes, escancara a estafa. Ali reunidos ficam os "protagonistas", pintados com elementos controversos. Lindberg se torna um aguerrido debatedor, José Eduardo Cardozo, um orador brilhante, dotado de argumentos lógicos e enfáticos; Gleisi Hoffmann surge como a dona de sensatez e de algum mea-culpa ("será que não nos distanciamos demais dos movimentos populares?", indaga). Do outro lado do ringue, a obra indica não imperar a mesma razoabilidade entre os personagens, mas sobrevêm absurdos e comicidade. Ninguém ali personifica isso tanto quanto Janaína Paschoal, a criminalista autora do pedido de impeachment. Ela choraminga, fala de catolicismo, se alonga antes de fazer suas sustentações como se fosse fazer exercícios e é flagrada sorvendo um Toddynho enquanto se debruça sobre os autos. EXIBIÇÃO Na sessão em Berlim, tomada em boa parte dos espectadores brasileiros, a advogada virou alívio cômico. Já Bolsonaro e Aécio, motivos de vaias durante a projeção. Já as falas de Dilma e Cardozo chegam como momentos de catarse. Ao fim da sessão, após gritos de "Fora, Temer", um espectador perguntou à diretora sobre o fato de o filme passar mais tempo com o lado petista. Ela disse ter tido o acesso franqueado pelos dois lados, mas deixou claro que seu objetivo era "desconstruir a narrativa oficial que se contava à época do impeachment", isto é, "que ela teria cometido um crime." Duas horas antes da sessão, um grupo de cerca de 20 brasileiros residentes na Europa aproveitou a exibição de "O Processo" para fazer um ato pró-Lula em Potsdamer Platz, a praça que sedia o festival. Sob frio de 4º C, empunharam faixas pedindo a anulação do impeachment.

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