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Cuiabá MT, Segunda-feira, 17 de Fevereiro de 2020
ILUSTRADO
Terça-feira, 21 de Janeiro de 2020, 08h:51

HISTÓRIA

Há 35 anos, Rock in Rio levantava voo em Jacarepaguá

Roberto Medina conta em curso, livro e filme como criou e aperfeiçoou o evento, que surgiu em 1985 como o maior festival de música do mundo

Há 35 anos, no dia 11 de janeiro de 1985, na Cidade do Rock, em Jacarepaguá, um público de 470 mil pessoas assistia ao primeira dia do primeiro Rock in Rio. Ney Matogrosso, Erasmo Carlos (hostilizado por uma novíssima turma do rock, a dos metaleiros), Baby & Pepeu, Whitesnake e Iron Maiden abriram caminho para que o Queen tivesse o seu apoteótico momento, no qual o cantor Freddie Mercury regeu um coro de centenas de milhares de vozes na canção “Love of my life”.
Empresário que cinco anos antes convencera Frank Sinatra a cantar para um Maracanã lotado, Roberto Medina experimentava sua grande vitória, aos 37 anos de idade: o maior festival de rock do mundo começava ali, em um país sem tradição de eventos daquele porte, prestes a sair de uma ditadura militar. E para piorar, sob oposição do governo estadual, da Igreja e até do profeta Nostradamus (as fake news da época, então conhecidas como boatos, davam conta de uma previsão do francês de que “um grande encontro de jovens na América do Sul perto do final do século terminaria com uma tragédia que causaria a morte de milhares”).
Ninguém morreu nos 10 dias de som e paz de um festival que atraiu um público total de 1,38 milhão de espectadores. Mas Medina teria grande prejuízo e logo em seguida perderia o direito de usar o terreno de Jacarepaguá. No entanto, faria outro Rock in Rio em 1991, no Maracanã (com Guns N’Roses, Prince e uma grande revelação do rock, o Faith No More) e outro em 2001 (de volta à velha Cidade do Rock, com Guns, Iron Maiden, Red Hot Chili Peppers e Foo Fighters) até conseguir, em 2011, que o festival passasse a se realizado de forma regular, de dois em dois anos, em um local fixo: uma nova Cidade do Rock, depois o Parque dos Atletas. A partir de 2004, ele passou a alternar, nos anos pares, com uma bem-sucedida edição em Lisboa.
Hoje, o empresário não passa mais por sustos como os de 1985, que o levaram, por exemplo, a comprar quatro caminhões-tanque e um duto subterrâneo para assim conseguir fornecer cerveja a bares mais do que lotados do festival. Mas ele não descuida da operação de um Rock in Rio bem mais hi-tech do que o primeiro, com muito mais palcos e com atrações que se estendem para bem além do rock (e mesmo da música, com montanha russa, roda gigante e arena de games).
“O Rock in Rio de 2019 foi o primeiro em que eu disse para mim mesmo: era isso o que eu queria fazer! E mesmo assim sigo inventando, sou um caso incurável”, conta por telefone, de Nova York, um Roberto Medina que agora, aos 72 anos, quer deixar um pouco mais de lado o dia a dia do festival e passar adiante sua experiência de vida e de eventos.
Este ano, além de lançar o curso “Gestão de eventos e negócios” (a aula inaugural é sua) e o livro “Rock in Rio: a arte de sonhar e fazer acontecer” (de Arthur Igreja e Allan Costa), ele dá os primeiros passos na realização de um documentário, a ser dirigido por Andrucha Waddington para a Conspiração Filmes, sobre a sua história como realizador. Uma trajetória que começa aos 16 anos, quando foi vender antenas depois que seu pai, o empresário Abraham Medina, enfrentou os militares em seu programa de TV, “Noite de Gala” e sofreu retaliações aos seus negócios, vindo a perder tudo.
“Quero falar um pouquinho das vitórias, das derrotas, da minha caminhada como um todo. O filme vai colocar claramente as coisas que eu sofri. Ele passa pelo sequestro (em 1990, o empresário ficou duas semanas em cativeiro, até ser liberado sob pagamento de US$ 2,5 milhões) e pelo meu sonho daqui para frente. Vai ter os shows do Rock in Rio e depoimentos dos artistas internacionais, mas minha preocupação não é essa, é a de contar uma história com um final feliz”, disse.
TIPO ‘BOHEMIAN’
Daqui a três anos, Roberto Medina quer que essa sua história com o Rock in Rio vire um filme de ficção na linha de “Bohemian Rhapsody” (“grupos internacionais me procuraram para falar sobre isso”, comenta ele, lembrando que uma das passagens do show do Queen no Rock in Rio de 1985 acabou entrando na trama de “Bohemian”).
“Está cada vez mais raro ter uma história forte, verdadeira, para contar na música”, acredita. “As bandas se renovaram pouco e há menos mitos do rock. O que mostra o quanto eu estava certo quando quis iluminar a plateia (no primeiro Rock in Rio ele jogou canhões de luz sobre o público), eu não tinha dúvida de que as pessoas eram tão ou mais importantes que o artista. Hoje 60% do público do Rock in Rio não vai pela banda, mas pelo festival em si”.
Em 2020, o mundo, a juventude e o rock são outros. Mas Medina se mantém inflexível em suas convicções: “As pessoas que possam vir a apoiar uma ditadura não têm ideia do que foi uma. O rock, a música, têm que viver de liberdade, as opiniões têm que ser expressadas”.


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