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Cuiabá MT, Domingo, 17 de Novembro de 2019
ILUSTRADO
Quinta-feira, 15 de Fevereiro de 2018, 18h:01

Roteiro que evita clichês rende drama agradável, mas não especial

INÁCIO ARAUJO
Da Folhapress – São Paulo
"Três Anúncios para um Crime" é, por um lado, quase uma antologia de temas atuais: coragem, feminismo, antirracismo. Como quase todos os filmes americanos do momento, aliás. Ao mesmo tempo, abarca questões quase eternas, como a ineficiência policial e o poder da mídia. Por outro lado, nos leva a uma cidadezinha, e nem teremos tempo de ver quanto rolam tensões tão grandes quanto abafadas, sob a habitual capa de cidade feliz etc.. Isso é o que, com muito bom senso, busca evitar o roteiro de Martin McDonagh (também diretor) desde o início. Talvez por isso a ação se situe no Missouri, cuja tradição não é de camuflar ódios, pelo contrário: eles são, não raro, explícitos e sanguinários. Seu objetivo é agir por deslocamentos. De início, Mildred Hayes (Frances McDormand) para numa estrada deserta e observa as cascas de outdoors vazias que existem ali. Uma bela e desolada imagem, diga-se. Tão desolada quanto a própria Mildred, cuja filha foi estuprada e morta. Ela decide então instalar três anúncios naqueles outdoors, chamando a atenção para a ineficiência da polícia e, em especial, do xerife Willoughby (Woody Harrelson). A mulher mostra agudo senso de marketing, pois raramente alguém transita por aquela estrada desativada, mas os poucos que o fazem tratam de espalhar a notícia. Eis o xerife pressionado. Willoughby, diga-se, foge à tradição e não é má pessoa. Mas, sim, é pelo menos conivente com certos policiais brucutus, com certo desleixo "cultural", por assim dizer (contra negros, mulheres...). Notamos, então, que, embora os conflitos sejam bem explícitos, segredos continuam a vigorar ali. E é em torno deles que se desenrolará o restante da trama. Se há um mérito no roteiro, consiste em evitar certos clichês ao desenvolver uma trama tradicional, à qual acrescenta a ideia bem original de apelo aos anúncios na estrada como modo de romper o cômodo silêncio da cidade em torno do crime. A isso se acrescenta um aspecto muito físico: existe força na sintética observação da cidadezinha e seus problemas. A atmosfera parece vir em boa medida da relação entre personagens e cenários, assim como da fotografia de Ben Davis, que puxa as cores sem deixar de ser seca. Impossível, por fim, não mencionar a boa direção de atores. E como à frente do elenco estão atores excelentes, como McDormand e Harrelson, metade do caminho está andado. No conjunto , resulta num drama agradável, embora não especial.

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