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POLÍCIA
Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2018, 17h:39

APÓS 15 ANOS

João Arcanjo Ribeiro está livre

Arcanjo ganha liberdade depois de quase 15 anos, dívidas serão cobradas

ALINE ALMEIDA
Da Reportagem
Depois de quase 15 anos preso o ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro ganhou o direito de regressar para o regime semiaberto. A decisão é do juiz Jorge Luiz Tadeu Rodrigues. Pouco antes das 15 horas de ontem, Arcanjo, que saiu do fórum “escondido” da imprensa, chegava na sua residência, no Bairro Boa Esperança, em Cuiabá. Acenando para imprensa, Arcanjo ainda vestia o uniforme da Penitenciária Central do Estado. Com sorriso estampado no rosto, Arcanjo foi recebido pelos familiares. Desde o início da manhã profissionais da imprensa se aglomeraram na 2ª Vara Criminal de Cuiabá, onde ocorreu a audiência admonitória para que o ex-comendador conhecesse as condições do semiaberto, entre elas, a colocação de tornozeleira. A família que esteve o tempo todo no fórum não quis se pronunciar sobre o assunto. O advogado do ex-comendador Zaid Arbid confirmou que Arcanjo vai residir no Bairro Boa Esperança e terá a atividade dele a exploração na fazenda. “É muito difícil saber o que uma pessoa depois de 15 anos recluso vai fazer, até eu fico nesta curiosidade em saber se os sonhos voaram para o passado ou para o futuro. Eu tenho certeza que se os sonhos deles voltarem ao passado não é para fazer o que fez, mas alguma coisa que ele queira se reconciliar com ele mesmo”. Zaid frisou que a página da vida de Arcanjo será escrita a partir de ontem. “Ele quer um futuro de paz, tranqüilidade, deitar e dormir”. A defesa enfatiza ainda que Arcanjo fomentava o comércio e indústria, era um homem que fomentava financeiro. Ele tinha a prática do jogo do bicho, mas era aprovada pela sociedade e pelas autoridades. “Eu não vejo nenhuma prova contundente ou material que informe João Arcanjo Ribeiro como mandante de qualquer crime. Uma pessoa com tantos processos já pesa contra ela um juízo de valor negativo. O tempo é senhor da razão e vai se encarregar” Os devedores – O advogado Zaid Arbid confirma que não há nenhum risco de fuga de João Arcanjo Ribeiro e que o mesmo também não tem motivo algum de temer pela vida. No entanto, a defesa enfatiza que o ex-comendador deve cobrar as dívidas passadas com pessoas que emprestaram dinheiro e não pagaram. “Nenhum de nós perdoaria o que tem por receber, receber é um direito de todos. Receber além do direito ele não vai fazer. Agora, falar que ele vai sair e é obrigado a perdoar. Ele tem direito de receber. As pessoas podem procurá-lo e pagar voluntariamente, se não pagarem, é o direito dele cobrar”, afirma. Homem novo – O advogado Zaid Arbid confirma que Arcanjo se tornou uma nova pessoa e está pronto para reescrever sua história. “A pessoa que vejo hoje de João Arcanjo é que ele não quer nada do que seja recriminado, será um homem solidário e da fraternidade. João Arcanjo é uma pessoa agradável e gostosa de estar junto”, disse. Para a liberdade - A decisão para progressão do regime foi proferida no último dia 19, pelo juiz Jorge Luiz Tadeu Rodrigues e marcou para ontem uma audiência onde Arcanjo conheceu os critérios para cumprir a pena no regime semiaberto. Segundo elencado na decisão, Arcanjo teria direito ao regime semiaberto desde agosto de 2017, ainda quando estava no presídio federal. E mesmo o exame psiquiátrico já atestava a boa conduta do reeducando. Considerado líder de uma das maiores, e mais violentas organizações criminosas do Estado de Mato Grosso, João Arcanjo ostenta extensa ficha criminal como crimes financeiros, evasão de divisas, lavagem de dinheiro – por mais 613 condutas ilícitas, associação criminosa, ocultação de cadáver, homicídios consumados e tentados, crimes contra a ordem tributária e forte influência Político/Financeira. Ele foi preso em 2003 em Montevidéu, no Uruguai, depois de deflagrada a Operação Arca de Noé e extraditado para o Brasil em 2006. Arcanjo foi transferido em agosto de 2007 para a Penitenciária Federal de Campo Grande (MS), no mesmo dia da deflagração da operação “Arrego”, pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), que comprovou que mesmo de dentro da PCE ele continuava comandando o jogo do bicho. Em abril de 2013 seguiu para a Penitenciária Federal de Porto Velho (RO). Desde setembro do ano passado Arcanjo estava preso na Penitenciária Central do Estado.

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