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Cuiabá MT, Terça-feira, 12 de Novembro de 2019
POLÍTICA
Terça-feira, 10 de Setembro de 2019, 08h:41

RUMO A 2020

Sucessão no Alencastro é marcada por barulho e mistério

Pelo menos dez nomes se articulam para a disputa pelo comando da Prefeitura de Cuiabá

Eduardo Gomes
Da Redação
Sicom
O Palácio Alencastro, sede da Prefeitura de Cuiabá, no Centro Histórico

Barulhenta e misteriosa. Assim é a articulação para disputar a prefeitura de Cuiabá. Pode parecer estranho misturar barulho com mistério, mas essa é a realidade. Afinal, os partidos se assanham, mas ninguém dá nome aos bois.

E mais confusa fica a disputa, quando se vê que os grupos políticos mais fortes caminham por linhas imaginárias, paralelas, próximas umas das outras: tanto podem cair para o lado adversário e serem bem aceitos quanto receberem de braços abertos os que despencarem para suas bandas.

Para eles, não está em jogo a questão ideológica; somente a disputa pelo poder.

Não, não se trata de figuras estranhas os citados ao cargo. São vultos de destaque. No DEM, Eduardo Botelho, Fábio Garcia e Mauro Carvalho. No PSL, Nelson Barbudo. No MDB, Emanuel Pinheiro. No PSB, Gilberto Figueiredo. Roberto França, no PV e conversando com DEM e Solidariedade. Gisela Simona, no PROS. Selma Arruda, ora em desentendimento com o PSL. Niuan Ribeiro, no PSD. Além deles, o PT cumpre rito estatutário pra se chegar a nome.

Some-se a eles o Procurador Mauro, do PSOL, que a cada eleição sai da penumbra correndo atrás de votos. Desfigurado, o PSDB aparentemente não reúne forças sequer pra articular.

Candidatura em Cuiabá, à exceção do PSOL, passa por coligação. Também passa pelo crivo dos principais líderes partidários, muito embora oficialmente quem decida seja o diretório municipal. Essa disputa sempre mobilizou os governadores, que nas últimas quatro eleições não conseguiram eleger seus candidatos: em 2004 e 2008 Blairo Maggi perdeu com Sérgio Ricardo e Mauro Mendes; em 2012 Silval Barbosa não emplacou Lúdio Cabral; e em 2016, Wilson Santos, escolhido por Pedro Taques foi batido.

Carlos Bezerra, o deputado federal que dirige e personifica o MDB defende a reeleição do correligionário Emanuel Pinheiro; o senador liberal Wellington Fagundes, também. Senador e líder democrata Jayme Campos elogia a administração do prefeito e faz questão de ressaltar a amizade que os une, mas acha prematuro se falar em nome nesse momento.

Ao tocar na precocidade para se definir, Jayme volta o olhar para seu partido lembrando que seu primeiro suplente Fábio Garcia é um dos cotados e que o presidente da Assembleia, Eduardo Botelho também figura na lista das especulações.

Emanuel Pinheiro nunca diz abertamente que pretenda disputar, mas sempre insiste que tem apoio suprapartidário, o que em outras palavras, no futebol, significa: cruza que eu cabeceio.

Fábio Garcia é articulado, mede bem as palavras e nunca cita que Mauro Mendes teria compromisso em apoia-lo, e que uma vez candidato o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM/RJ) vestiria sua camisa.

Cauteloso, evitando todo tipo de atrito com sua base aliada, o governador Mauro Mendes não toca em apoio. Porém, além de Fábio Garcia, ele também demonstra simpatia por seu secretário de Saúde e vereador licenciado por Cuiabá, Gilberto Figueiredo (PSB). Na eleição em 2016 Mauro Mendes chegou a defender o nome de Gilberto para a prefeitura.

Eduardo Botelho é cogitado para as prefeituras de Cuiabá e Várzea Grande, mas sempre desconversa. Seus interesses empresariais – segundo analistas – seriam prejudicados caso fosse eleito prefeito, porque não poderia contratar com sua prefeitura. Mesmo assim, seu nome ganha força nos meios empresariais; além disso, tem apoio quase unanime na Assembleia.

Mauro Carvalho nunca concorreu a cargo eletivo, mas na condição de chefe da Casa Civil de Mauro Mendes respira política 25 horas por dia. Beto Dois a Um, presidente municipal do DEM o relaciona entre os nomes de seu partido, para disputar a prefeitura. O quê da questão é saber se o martelo de Mauro Mendes será batido para Gilberto, Fábio Garcia ou Mauro Carvalho ou ainda para alguém fora desse núcleo.

Há divergência política entre Mauro Mendes e Emanuel Pinheiro. Porém, entre eles transita um grupo expressivo de figuras políticas de proa, o que poderá uni-los, já que em política nada é impossível. Se não acontecer essa união, o governador e Fábio Garcia, que é o presidente regional do DEM, tentarão manter no partido a ala que flerta com Emanuel Pinheiro, a exemplo de Jayme e de seu irmão e ex-senador Júlio Campos.

Plural, mas a um passo da singularidade, o PSL de Jair Bolsonaro tem dois nomes: a senadora Selma Arruda e o deputado federal e campeão de votos para o cargo, Nelson Barbudo. Selma Arruda está em processo de rompimento com o partido e avalia outra sigla para se filiar. Independentemente de legenda, mas desde que identificada com o grupo de Bolsonaro, a senadora tem boa fatia do eleitorado.

O problema maior é sua cassação pelo Tribunal Regional Eleitoral, que ela tenta reverter. Abrigada em outro grupo sua candidatura pode se consolidar; em caso de sentença de cassação com trânsito em julgado, adeus.

Barbudo disse ao Diário que o diretório nacional o quer candidato a prefeito, mas ele avalia que seu melhor lugar seja na Câmara e, por isso, costurará um nome partidário para o cargo. Além disso, o deputado é eleitor em Alto Taquari e nunca militou em Cuiabá. Sua grande votação deve ser creditada ao eleitorado de Bolsonaro.

Gisela Simona (PROS) ou Gisela do Procon. Assim ela se apresentou em 2018 para deputada federal recebendo em Cuiabá a maior votação para o cargo, o que lhe rendeu uma suplência na Câmara. Sem discurso de direita nem de esquerda, mas falando a linguagem do povo, Gisela virou uma espécie de queridinha, por sua condição de cuiabana, mulher, negra e dedicada servidora pública. Seu nome é cogitado para prefeita, mas sempre há algum político articulando uma chapa com ela na sua composição enquanto vice.

Mauro César Lara de Barros, o Procurador Mauro (PSOL) é especialista em disputar eleições, mas nunca venceu nenhuma. O ano de 2020 nos mostrará se ele continua ou não no ritmo dos palanques, ou se ficará somente vocalista dos lambadões apresentados por seu conjunto Os Ciganos, fora do expediente da Receita Federal, onde trabalha.

Estatutário, o PT não discute nomes prematuramente. O partido de Lula não radicaliza nas disputas em Cuiabá. Em 2008 a petista Verinha Araújo compôs chapa com Mauro Mendes (PR). Em 2012 Lúdio Cabral (PT) – agora deputado estadual – foi candidato a governador tendo em sua chapa a emedebista Teté Bezerra.

Roberto França (PV) já foi tudo: vereador, presidente da Câmara, duas vezes prefeito, presidente da Assembleia e deputado federal. Há alguns anos sem mandato e longe das urnas, França costura sua volta. Estaria conversando com o DEM e o Solidariedade. Segundo uma fonte ligada a ele, o prefeito Zé Carlos do Pátio (SD) de Rondonópolis, está a um passo de anunciar sua filiação.

Niuan Ribeiro é o vice de Emanuel. Chegou ao cargo pelo PTB e migrou para o PSD de Carlos Fávaro. Seu nome desponta para a prefeitura, o que evidencia seu rompimento com Emanuel Pinheiro.

Isso, no entanto não significa ruptura definitiva entre eles, pois o amanhã político em Cuiabá somente não é mais imprevisível, porque sempre resulta na arte da composição.


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